Prosa Caótica


 
 

Diário da Fazenda

AREIA, CIDADE RELÍQUIA

A VERDADE SOBRE O FESTIVAL DE

ARTES DE AREIA

(Diário da Fazenda)

 

Volto a falar de Areia e de sua gente, levado pelo peso de sua tradição na política e no mundo das artes, que mais contam na sociedade dos homens. Conquistou aquela cidade, um galardão que outras maiores entre as comunidades paraibanas sequer ousaram. Leiam “Brejo de Areia” do mais orgulhoso dos seus filhos Horácio de Almeida. Ela que atingira o ápice do destaque, erguendo-se do fundo poço da decadência, a que a relegaram décadas e mais décadas de incúria administrativa que dominou a Paraíba, ofereceu-se como modelo e porta-voz de reivindicações em nome da democracia.

Tudo me ocorre na solidão da fazenda, ao deparar na memória, os momentos melhores de minha vida, que ficaram para traz. Ativo na militância, que discute as questões sociais relevantes, descobri, como respiradouro para a sociedade que sucumbia à censura ditada pelo arbítrio político, a chance de deixar Areia falar, escutar o seu discurso. E o fiz.

*   *   *

A idéia surgiu da necessidade de criar na Paraíba e oferecer ao país, um espaço para reunião e debate de temas da literatura e da arte, das ciências políticas, da cultura em geral. Vivíamos os tempos ominosos da censura imposta pelo regime militar no poder desde 1964. O país, contudo, reagia na imprensa, na ação e palavras de militantes em prol da liberdade de expressão e da democracia. Era uma exigência nacional.

Queríamos fazer a nossa parte.

Desfrutava o nosso Estado uma situação de invejável prestígio intelectual e político: era a terra de José Américo de Almeida, um proscrito pela ditadura do Estado Novo, vivo no seu refúgio em Tambaú, em torno do qual gravitavam escritores e militares companheiros de farda do seu filho general Reinaldo Almeida, líder inconteste e destacado no estamento dominante. Eram filhos de Areia.

Em conversas com Virginius da Gama e Melo, Paulo Melo e aficionados, nos encontros costumeiros em bares e restaurantes da cidade, comentei, e propus, a exemplo do que se fazia na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, com o seu “Festival de Inverno”, a realização na Paraíba de algo nesse estilo.

 Aludindo aos fatos da tradição política e intelectual da cidade de Areia, argumentei: - Existe um apelo em todo o país, no sentido da realização de tais conclaves. Recorrendo ao marketing voltado para o turismo como valor relevante, criaremos similar no Nordeste, com a sugestão do seu clima quente como chamamento, de sua importância na literatura e nas artes do país. Será o “Festival de Verão de Areia”. Os seus filhos ilustres nos apoiarão. Eles nos serão úteis e poderemos usá-los honestamente.

A idéia pegou, pronunciei discurso na Assembléia Legislativa do Estado no dia 14 de março de 1974, o que consta dos seus anais, com apartes dos deputados José Fernandes de Lima, Américo Maia, Edme Tavares, Jonas Leite Chaves e Orlando Almeida, que apoiaram a idéia-proposta que eu defendia. Ofereci na ocasião uma expressão-legenda que distinguia merecidamente o burgo serrano, cognominando-o: “Areia, Cidade Relíquia da Paraíba”. Tenho em meu poder cópia do apanhado taquigráfico do pronunciamento.

A década setenta do século vinte lotou seminários e fóruns, que ali reuniram os pensadores que falavam em nome do país. Todos foram citados, referidos, apresentados com a força de suas idéias, no cinema, no teatro, na teoria da literatura, na filosofia, na sociologia, na ciência política.

A imprensa aplaudiu e glosou a minha proposta-sugestão. José Leal e Aurélio de Albuquerque entre tantos. O festival, de que antes jamais se falara, foi criado como sugeri, e alguns tiveram lugar em Areia. Depois mudaram a denominação e o local de sua realização. Ficou somente a honrosa legenda, que exaltava os feitos gloriosos daquela comunidade.

Quanto a alegações de burocratas que assinaram atos e elaboraram planilhas, é outra coisa, é diferente da decisão e da vontade política que anunciou e sustentou a idéia. Que eles se declarem colaboradores ou opositores na realização do evento, vá lá que seja, mas se arvorarem e reservarem autoria, essa não aguento. Passa da conta.

Direi, finalmente, como José Américo ao criar a Universidade Federal da Paraíba: “Eu vos dei raízes, outros vos darão asas e o selo da perpetuidade”.

O caso é que, inimigos gratuitos e figuras menores, movidas pela inveja, inventam e divulgam versões falaciosas sobre o fato. Intrometendo-se onde não cabem, e omitindo, propositalmente e de má fé, a autoria que me cabe na implantação desse projeto político cultural, marcante na história da Paraíba, oferecem, o que é pior, dados inverídicos sobre fatos que determinaram acontecimentos marcantes na nossa história.

Permanecem mesmo assim, como histriões, na periferia, no “sereno”, da história, como preferia o nosso Zé Lins do Rego. Os documentos o comprovam.

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Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 19h27
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Comunicado

ALERTA SOUSA!  INTRUJÃO À VISTA.

Eilzo Matos

            Li notícia sobre visita de Ricardo Coutinho, prefeito de João Pessoa, a Sousa e Aparecida. Advirto: ele é viciado na dissimulação, na mentira e na ameaça. Não joga limpo. Os ouvidos das pessoas vão sofrer o estrondo do som que divulga Ricardo candidato, pago com dinheiro da prefeitura de João Pessoa ou roubado de outro serviço público. Assim financia suas campanhas políticas. Coisa de intrujão mesmo. Os espertos sabem que ele é homem de qualquer negócio, lícito ou criminoso, e estão se chegando. Dá pra notar.

Ele quer deitar falação em qualquer lugar. Mas gosta mesmo é de restaurante caro, de chefe de partido político que se vende (confiram os apoios que ele recebe), de festas para homenageá-lo tudo comprado e pago com o dinheiro público. Gosta de funcionários humildes e desamparados, submissos ao arbítrio de sua crueldade nazista. E ele quer ser diferente. Impossível. Os outros corromperam e ele corrompe, os outros se aproveitaram do cargo e ele se aproveita. Não tenho medo de errar: abra-se qualquer processo por desvio (roubo) de dinheiro público, condenação por crimes na gestão de cargos públicos e lá cabe a cara de Ricardo. 

Diferença não existe: ele é igual a muitos e pior do que todos. No leilão da honra, Ri-cardo parte na frente, arreganha os dentes que saem da boca torta e grunhe: – Pago mais! Cubro qualquer parada!

E está organizando uma coligação para apoiá-lo que eu chamo Coligação Cano de Esgoto, financiada com dinheiro da público. Lá corre, como disse Lula, toda a “merda” da política. Tudo pago com o dinheiro desviado da prefeitura é preciso deixar claro.

*   *   *

Alerto o meu amigo Laercinho e seus companheiros de Aparecida sobre o equívoco, o erro que cometem homenageando Ricardo Coutinho, colocando a austera Acauã Cultural à serviço de interesses de um estelionatário.  Caberia a ele, a magoada e sofrida exclamação do poeta Augusto dos Anjos, comparando-o à “pele de rinoceronte”, à “asa de corvo... asa de mau agouro...” que ameaçam os cidadãos paraibanos. E chamo também a atenção sobre a advertência que já fazia o tribuno romano Cícero (42 AC):

“Uma nação pode, sobreviver aos idiotas e até aos gananciosos, mas não pode so-breviver à traição gerada dentro de si mesma. (É o caso de Ricardo). Ele arruína as raízes da sociedade; ele trabalha em segredo e oculto na noite para demolir as fundações da nação; ele infecta o corpo político a tal ponto que este sucumbe”.

*   *   *

O meu compromisso é com a democracia e acho que é possível encontrá-la. Concordo com Norberto Bobbio que “A democracia não goza no mundo de ótima saúde, mas não está à beira do túmulo.” Não se trata de “...otimismo ingênuo. Apesar de seus defeitos, a democracia permite a esperança, pois pode ser melhorada”. Afastando, é claro, da cena, os intrujões do tipo de Ricardo Coutinho.

Invisto contra todos que pela esquerda e pela direita, de forma antidemocrática, en-ganaram o povo, traíram compromissos assumidos de forma solerte e criminosa, como o fizeram Franco, Salazar e outros conhecidos genocidas, que servem de modelo inspirador a tipos como Ricardo Coutinho.

Em defesa de Sousa e da Paraíba recorro à memória de Antonio Mariz quando resistia aos abusos dos poderosos, e levantava a sua voz, em discurso pronunciado como postulante, na convenção partidária que escolheria candidato a governador do Estado da Paraíba, no plenário da Assembléia Legislativa:

“Todos entoam hinos à liberdade. Todos clamam por justiça social. Todos condenam a violência e o arbítrio. Mas quantos se dispõem a levantar a voz? Todos condenam os governos aristocráticos e fechados, os governos de gabinetes trancados (como o de Ricardo), mantendo o povo do lado fora. Mas quantos se dispõem a resistir?”

Os registros públicos trazem a lista dos corruptos, dos processados e condenados pela polícia e pela justiça. Ali estão os nomes dos que apóiam Ricardo.

Os que se dizem herdeiros do ilustre sousense desaparecido AntonioMariz, de que lado estão? Herdam somente as vantagens? Deixam de lado a honra e a ética pública? Se aproveitam espertamente?



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 11h43
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