Fujimori e Lula

FUJIMORI, LULA E RICARDO – A MARCHA DO TEMPO – SOCIEDADE E VIDA

(Diário da Fazenda)

 

         Por aqui, como em outros lugares, as mudanças ocorrem com freqüência. A natureza e a organização do meio civil o comprovam. Definem, e eu ressalto o relacio-namento entre pessoas e instituições públicas e privadas: a produção das roças, o cria-tório, a nascente industrialização, os negócios na feira, a cobrança de impostos. O homem emparedado. Mas nada está parado, o desenvolvimento e a substituição do velho pelo novo, se impõe. Às vezes cansa esperar. Os fracos chegam a duvidar.

         Aqui na fazenda não costumo fazer substituições, provocar transformações alea-tórias. Quase as mesmas pessoas, as mesmas culturas, os mesmos métodos de trabalho, comercialização, resistem. Ajusto-me conforme o tempo. Mas algo inevitável acontece. De maneira que ainda moram comigo, filhos de um vaqueiro que implantou minhas mangas de pastagens, currais e chiqueiros para o gado e as ovelhas. E famílias de antigos compadres. Acontece a mudança natural de uns, deste para o outro mundo, e de outros para o Sul, atraídos pela regra milenar do comportamento humano: o chama-mento para os centros econômicos mais desenvolvidos, a luminosidade e o brilho das cidades. Os vizinhos trocam de nome, mas as famílias são as mesmas, pela herança, na grande maioria.

Em relação ao aprovisionamento da despensa e ao lazer, a realidade é outra, sofre bruscas transformações. Até com certo exagero, provocadas pela tecnologia acessível a todos nos dias atuais, substituindo equipamentos e processos de produção, instru-mentos de trabalho. Desapareceram o pilão, o moinho, o fogão a lenha, a lamparina. E  pago o salário mínimo aos braçais que antes se submetiam a parcerias, sujeitas a fra-cassos e insucessos determinados pelas mudanças climáticas – a seca, a inundação. Em suma o cambão, a meação, substituídos pelo cartão bancário eletrônico pessoal, de pequeno valor financeiro, que possibilita, todavia, o acesso ao crédito no comércio local. Hoje alguns moradores pilotando motos, viajam com freqüência para a cidade, onde têm moradias precárias, e se tornaram consumidores.

          Desperta a minha atenção o debate ideológico, a formulação teórica de novos modelos sócio-administrativos, de explicações sobre a maneira de possibilitar ajusta-mento ao panorama caótico da vida burocrática brasileira. Tomo partido. Assim vou vivendo, assim tem caminhado a humanidade.

 

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         O mundo é outro. Perduram algumas práticas, mas sempre desaparecem. A massa articula-se, move-se, a intelectualidade engajada emite conceitos, dita palavras de ordem. O confronto social se generaliza. Disputas, alianças, enfrentamento. Duro é o combate.

         O caráter oportunista e eleitoreiro, da política social do governo Lula, tem gerado efeitos deletérios e dolorosos na conjuntura familiar das massas pobres da população, a que não resistem a estrutura precária de órgãos do serviço públicos, que não passam de enganadoras e dissimuladas fantasmagorias, e cuidam de saúde, educação, segurança, meio ambiente, soberania, etc. Com o olho no voto, a maioria dos políticos, esquece a vida das pessoas ao seu redor. Assim Lula e Ricardo – envolvidos como outros, pessoal e familiarmente no processo de corrupção que arrasa o país –, utilizam espaço da mídia pago com dinheiro público, se anunciam decentes, diferentes. Como? Impossível sus-tentar tal falsidade. Estão aí Lulinha, o fornecimento de merenda escolar em João Pessoa.

Diz o presidente Lula: “O Brasil é um país rico, ninguém dorme com fome...” Uma mentira. Todos sabem. E pouco lhe importa a opinião crítica de alguns. Ele sabe que a maioria dos brasileiros, doentes roídos pela fome, pela tuberculose, pela lepra, como criancinhas africanas abandonadas em extrema pobreza, mostram as mãos le-vantadas para o céu implorando um naco de comida.

Mas uma crua verdade fere de morte a legião dos enganados. Os que não con-seguem sequer mendigar são recolhidos aos presídios, envolvidos na criminalidade que afoga o país. As familias sofrem este drama. Eis a espantosa política social nascida com as bandeiradas e panfletagens do PT.

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A Paraíba destaca-se na cena infernal. O prefeito Ricardo Coutinho ruge: “Sou assim, não vou mudar...” Em período que não é de campanha eleitoral, ele faz viagens para conquistar apoios e votos em outras cidades, gastando irresponsavelmente os recursos financeiros do erário municipal, com um projeto político pessoal. E deixa entregues aos insetos e bichos peçonhentos, às emulsões mefíticas, as massas pobres dos subúrbios da capital. Não há como esconder, como negar. Subsidia ONGS no adrede debate de suas apregoadas qualidades. Tal as mulheres despenteadas de vestidos frouxos, os jovens amaneirados, em exaltados desfiles contestatórios, que a custa de muito dinheiro, saúdam a pretensa liderança avaliada em pesquisas de opinião. Adverte a sabedoria popular que o diabo não se esconde na igreja, tem uma manta e usa chocalho. cil de identificar.

         Surpreende-me a pauta de discussão dessas modernas organizações ativistas, que induz suspeita sobre a lisura e patriotismo de suas ações. Elas, as ONGS, efetivamente, protestam contra projetos, mas de entidades concorrentes; exaltam e aplaudem medidas que lhe facultam o pagamento de jetons para o seu funcionamento. Nada além da construção de meros factóides provocativos. Assim tomba o país com os seus recursos naturais apropriados por organizações alienígenas, adquiridos mediante propina paga aos representantes do governo brasileiro. Assim fizeram com a telefonia, com a Petrobrás, a Vale do Rio Doce. E o assalto continua. Alberto Torres já denunciou no passado essa prática vergonhosa dos nossos homens públicos.

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         O panorama cultural da Europa, da Paris do Século XX, que nos alcançou no cenário ocidental, em que mergulhei em leituras, chegou à minha morada na fazenda, leva-me a ponderações e reparos. A discussão intelectual reflete inegavelmente a luta de classes, cria obstáculo, opõe-se à pretensão “tutorial e autoritária em relação ao público”. Rememoro somente fases dos primórdios do Iluminismo, das escolas artístico-literárias que dominaram períodos de longa ou curta duração e os nossos dias. Esgotou-se o episódio da “generation perdue”, os intelectuais foram submetidos ao engajamento na disputa entre nações, depois da Primeira Guerra. Dos anos 20 aos 50, marcado pela morte de Stálin, e os idos de 68 – universalmente o ano que não terminou –, como afirma Zuenir Ventura, a disputa mostra-se violenta. Dissolveu-se a URSS, um negro foi eleito presidente dos EUA.

         A humanidade percorre a estrada traçada pela Razão, rumo ao bem estar coletivo, sem discriminações. Chegaremos lá, embora Lula, Ricardo e seus parceiros não acre-ditem, não o desejem.

         Em boa hora, acontece a condenação do farsante ditador Fujimori, pela prática de crimes cometidos contra o povo peruano, a democracia, a nação. Algo no mesmo estilo Lula/Ricardo, que serão julgados perante a história, pela prática de tais crimes he-diondos e de lesa pátria. A riqueza do país, de que fala o presidente Lula, tem outro dono, ele esconde. Dela se beneficiam outras nações e outras pessoas privilegiadas. Esta uma verdade irrespondível que ele silencia. A beleza da capital das Acácias, de que fala Ricardo, foi maculada pelas suas falcatruas à frente da administração municipal. Não custa provar.

Na batida do chocalho, na pancada do ganzá, esta a nossa marcha aqui no mato. Seguimos em frente.

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Sertão – agosto 2009