Prosa Caótica


Funambulescos

INVEJA, FRUSTRAÇÃO, COMPLEXO OU RECALQUE - O CASO HILTINHO, DINHO, JOÃO ALMEIDA E OS ESPÍRITOS IMUNDOS

                  Eilzo Matos

 

Imaginem a dolorosa inveja, que a vitória eleitoral do negro Barack Obama, terá despertado em alguns fracos de caráter, co-rações cheios de cobiça, que talvez protestem hoje nos EUA, inconformados com a derrota!

Aconteceu aqui em João Pessoa. Lá uma hipótese, aqui uma realidade. Lá seriam os brancos; aqui, verdadeiramente, concre-tamente, são pessoas preconceituosas: os endinheirados e os que se julgam íntimos ou donos do poder (Hiltinho, Dinho e João Almeida). Estes assumem na Paraíba, o seu papel.

Como cristãos que somos no Brasil, em absoluta maioria, vale a penas recorrer a ensinamentos bíblicos para comentar este caso vergonhoso (e também criminoso), que explodiu em João Pessoa: a aventura diria funambulesca, dos jovens citados acima, derrotados nas últimas eleições municipais.

Tião Lucena no seu visitadíssimo blog, deixou claros os lances da perfídia: companheiros de partido político e também candidatos se mancomunaram. Subornaram pessoas humildes, forneceram transporte e alimentação, expondo-as às penas da lei, para formar prova contra um vereador eleito, anular a sua eleição proclamada pela Justiça Eleitoral, sem que fosse interposto for-malmente qualquer recurso jurídico legal.

Preferiram a chicana, a perfídia.

Bastava-lhes a denunciação caluniosa, a articulação de prá-ticas imorais de forjar situações, que conhecem bem, como de-monstraram. A sua força, o seu poder, alardearam, estavam na sua condição de filho de desembargador, amigo do prefeito eleito, etc. A imprensa paraibana, cumprindo o seu papel de informar, co-mentou o fato no rádio, na tv, nos jornais, na internet.

*     *

A inveja sempre foi um grave problema no relacionamento humano. Ela é definida como um sentimento de profundo pesar pelo sucesso alheio.

Muitos não se importam com a inveja de seus adversários e a ignoram por completo, enquanto outros se preocupam, e muito, com esse sentimento, porque sabem que, por trás dele, há forças malignas estimulando disputas. Realmente, a inveja parece ser quase inofensiva, mas seus frutos são cruéis a ponto de conduzir suas vítimas ao extremo.

A Bíblia fala sobre a inveja muito mais do que se imagina, quer direta ou indiretamente. O primeiro caso aconteceu logo no princípio da humanidade, entre os dois primeiros filhos de Adão e Eva: Caim e Abel. Mas o fato é que o texto mostra claramente, que há sempre um espírito imundo por trás da inveja, espírito este que induz a pessoa a tomar atitudes contra a pessoa invejada.

         A sabedoria de Deus revelada na Bíblia, ensina nos Provérbios que os maus não ficarão impunes; mas a descendência dos justos triunfará. É preciso que a Justiça e os seus organismos auxiliares, não se deixem intimidar. Assim espera a sociedade.                                              ............................................

 

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 17h22
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Carta a Gonzaga nov/1991

Carta a Gonzaga Rodrigues – 25 de Novembro de 1991

“Prezado Gonzaga:

Há quanto tempo, heim!

Ao chegar em Sousa, depois de dez ou mais dias preso ao “tempo da fazenda”, procuro os jornais para rever os amigos. Revê-los nos seus escritos, diria melhor. O hábito da leitura é antigo no meu comportamento, e me impôs deveres cansativos para cumpri-lo de forma racional. Primeiro cuido do espírito com a poética filosófica do seu texto, depois passo para o sociologismo esquerdista panfletário de Carlos Aranha. É próprio do artista, explorar “situações limites”, e vocês o fazem. Por fim, avalio o nível dos comentaristas de política, de medicina, de turismo, do mercado imobiliário etc, porque você sabe dessa mania epidêmica de “rabo de palha, fogo nos dos outros”. Sempre com alegrias e decepções, é verdade.

Como dizia, a leitura torna-se difícil pela maneira especializada de escreverem os autores, em épocas distintas, sobre assuntos também distintos. Seja em literatura, em direito, em filosofia, em história, eles conscientemente poliglotas, desprezando a nossa tradição de conhecedores de uma única e inculta língua, a portuguesa, atropelam-me com palavras gregas, cujos caracteres não sei sequer desenhar, palavras e expressões em latim, francês, inglês, alemão, no meio de frases vernáculas, deixando-me em becos sem saída. Coisas de mestres.

Não desejo estragar o seu espaço com apotegmas, insinuações paralogísticas (sublinhei). Veja a dificuldade. Apo-quenta o leitor, o uso de palavras inadmissíveis em jornal que é coisa apressada, com prazo de editor, espaço de diagramador, circulando para consumo imediato, sem profundidade de conceitos e revisões. A não ser as gramaticais que são indispensáveis. Como dizia o saudoso José Américo: “brasileirismo não é corruptela e solecismo. A plebe fala errado, mas escrever é disciplnar e construir...”  Pelo menos isso.

Vale resguardar a linguagem comum. Então, quem faz jornal tem que ver isto mesmo. Não está imprimindo enciclopédia. Essa onda de “imprensa” tudo pode, deve ter o seu limite. Os gregos de Péricles, de Platão, de Heráclito, não possuiam, sequer intuiam a imprensa, apesar de o fazerem sobre a explicação do mundo e a trans-formação das coisas umas nas outras, a dialética como lei do desenvolvimento da natureza e da sociedade. Retraio-me, entretanto, diante de à outrance, eppur se muove, arcades ambo, up to date, gedanklichen a gestalten, e vai por aí.

Que fazer? Buscar fontes, porque se trata de afirmações girando na ciência, como exige as letras que aprendemos. Quanto a jornal? Deve cuidar do que a cultura média (ela existe?) faculta, para ser lido e entendido, pois tudo é notícia para todos, dependendo do leitor, e os jornais os têm variadíssimos.

Toda essa conversa é para elogiar “O Correio” pela página 16 do Caderno 2 do dia 17-11-91, que à falta de conhe-cimento da palavra e da língua que a designa, chamarei de página de Aranha, Alarico e Carmélio, e criticá-lo pelo ombudsman. Assim, fale com o pessoal, mostre-lhes a clareza de “Variedades”, “Sociais”, “Estadual”, “Esportes”, que antecedem a indecifrável (para mim, confesso) “Ombudsman”. Será ela uma daquelas palavras que os estudiosos das línguas classificam como intraduzíveis? Tanto pior. Nesse caso, arranjem outra parecida na significação, no sentido, em português, que se é língua inculta, é, porém, bela, com a glorificou Olavo Bilac.

Caberia neste final um Weltanschauung?

Vae victis!

Abraço do amigo

Eilzo Matos.”    

 



Categoria: textos antigos
Escrito por Eilzo Matos às 18h01
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