Prosa Caótica


Hora de Ajuda

CHEGOU A HORA DE AJUDAR O PRESIDENTE LULA

                                                    Eilzo Matos

          O presidente Lula, no início do seu governo, por mais de uma vez, falou da necessidade de rever, para aperfeiçoar com urgência, a legislação que criou as chamadas “agencias reguladoras” que cuidam da atividade de poderosas organizações paraestatais. Elas deveriam evitar os excessos, quer do Estado quer do Mercado, nas suas imbricadas relações. Mas o que se vê é o contrário.

          A razão estava do seu lado. Pena que não tenha realizado a necessária intervenção. Esquecimento? Desinteresse de sua base de apoio no Congresso? O cidadão, no caso os consumidores de serviço, restam abandonados à própria sorte. Mas ainda há tempo.

          O governador do Paraná, patrioticamente enfrentou a mídia. Queria recuperar uma empresa estatal à beira da insolvência (COPEL), evitar a sua privatização, porque re-presentava o alicerce para produzir lucros, oferecer suporte de serviços indispensáveis ao desenvolvimento do Estado, do bem estar da população. Em notável discurso na Assembléia Legislativa ele afirmou:

          “Nesses quatro anos, transformamos a Copel de uma empresa à beira da quebra, deficitária, na terceira melhor empresa de energia do mundo. E na principal empresa de energia das Américas. De longe, a melhor empresa de energia do Brasil. Os paranaenses pagam hoje, a menor tarifa de energia do país; os nossos empresários têm oferta de energia barata e abundante para o desenvolvimento de seus projetos; um milhão de paranaenses de famílias mais pobres, recebem energia de graça em suas casas”.

          Poderíamos incluir a ENERGISA no padrão acima? Claro que não. Inúmeras e insistentes são as irregularidades por ela praticadas, em prejuízo dos seus clientes. Daí a exigência de criação e imediata instalação da “CPI da ENERGISA”, pela nobre casa de representantes do povo paraibano.

          Em relação à atividade das empresas concessionárias da distribuição de energia elétrica, premiadas na roleta da privatização, aqui na Paraíba, a ENERGISA especializou-se na prática do estelionato no relacionamento com os seus clientes, na indisciplina quanto ao cumprimento dos seus deveres, desde os mais simples, os menores – urbanidade, por exemplo. Nos seus escritórios, cliente é tratado no grito. Nas residências e nos estabelecimento privados, de consumidores, a arrogância e a agressividade, marcam a presença de seus prepostos. Fácil de provar em juízo.

          Falo do que sei e o povo sabe do que falo.

          EMINENTES PARLAMENTARES

          Está aquii um homem que conhece a dormida dos carcarás. Proponho-me colaborar com vossas excelências, para pegá-los no ninho, para esclarecer o que se fizer necessário, em relação à ENERGISA. Em todas as instâncias. Em defesa da cidadania, do interesse público. Vamos falar sério. A ANEEL parece cuidar somente do interesse dos empresários, sabemos muito bem, pois os responsáveis pela sua gestão são figuras “batizadas”, “carimbadas”, como dizem. Daí a preocupação de Lula. Que tal uma leitura nos seus registros? Um ementário de suas decisões? A verdade verdadeira é que lá não existem juízes, mas agentes.

          LEIAM COM CUIDADO - FORA ENERGISA

                  Não sou jurista, esclareço, mas a pesquisa doutrinária, legal, tornou-se fácil com a internet. E vai o começo. Confiram por favor.Todo o Direito é relativo e dinâmico, e por isto sempre questionável, polêmico. Mas o Direito das Obrigações tem estas características ainda mais acentuadas. Partindo da discussão do pacta sunt servanda, chegamos ao rebus sic stantibus, porque trata das causas e dos efeitos das relações jurídicas entre as pessoas, que estão em toda parte, e as pessoas, claro, são imprevisíveis. E o Rebus Sic Stantibus pode ser lido como "estando as coisas assim" ou "enquanto as coisas estão assim". (domínio da arrogância, da violência, da desobediência aos seus deveres, a prática contumaz do estelionato, a rapinagem) da parte da ENERGISA, a hora é chegada para revisão do contrato de concessão.

        Esta é a opinião do povo. O cidadão Edmilson do Roger, disse-o claramente na audiência pública realizada na Assembléia Legislativa. Por seu lado o agente da ANEEL limitou-se a declarar aberto apoio á prática da ENERGISA, e a responsabilizar o Estado pelo custo das contas pagas pelos usuários. Um desplante! Uma vergonha!

          Deriva da fórmula contractus qui habent tractum sucessivum et dependentium de futuro rebus sic stantibus intelliguntur. Designa o princípio da imprevisão, segundo o qual a ocorrência de fato imprevisto e imprevisível posterior à cele-bração do contrato diferido ou de cumprimento sucessivo implica alteração nas condições da sua execução. (Transcrição http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=641).O nosso lado é o lado do povo. O da Energisa é dos carcarás da canção de João do Vale: “pega, mata, e come”.

          Perguntarão.  ─ E os nobres senhores deputados estão de que lado? 

           Eu respondo:  ─ Do lado povo! Claro!...

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Sertão,Confluência Peixe/Piranhas/Piancó16/10/2008

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 16h05
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Evandro Nobrega

A  GLÂNDULA PINEAL DO URUBU      VIAGEM PICARESCA DA MEMÓRIA ATRAVÉS DA ENCICLOPAEDIA BRITÂNICA  15ª Edição

                                                          Eilzo  Matos

           Tinha de dar no que deu. Conversa com gente, quase sempre é perda de tempo. Assim achava Evandro Nóbrega, e dialogava com os livros, solitário, como do seu feitio. Passei muito tempo sem saber de sua vida, e agora descubro-o autor de um livro. E que livro!

           Evandro é militante da multimídia, do hardware, do software, em tempo integral. Discípulo dos Enciclopedistas (ainda mestres do pensamento), acredito; embora se diga cético, conduz-se conforme a razão. E nada mais racional nestes dias atuais, que a rapidez da informática, dos computadores.   

A “interatividade” é um aspecto da tensão dialética entre o conhecimento e o tempo. Os computadores, todavia, não inventam, não criam: descobrem e encaminham raciocínios. A “realidade virtual” não “recria”. Responde e informa no circuito da mesma realidade. Não adianta recorrer a opções contrárias à racionalidade, que é o fluir natural do indivíduo na história, a “irrupção do infinito no finito” (Spinosa). Seria “improgramável” semelhante procedimento. “A razão governa o mundo... e é somente na superfície que reina o jogo dos acasos irracionais... restabelece a ordem quando a história parece absurda e sem sentido” (Hegel).

           Homem dado ao estudo, ao aprendizado de tudo o que disseram ou dizem,  pensaram ou pensam, ao longo dos tempos, até o “politicamente correto/incorreto” atual   -  que não exprime um valor social relevante, mas intuo que trata de compromissos e descompromissos salafrários dos jornais, revistas, tevês e congêneres  –, daí nasceu a sua tese enciclopedista-literária sobre o “terceiro olho”: o olho pi-neal, o olho metafórico, o terceiro olho necessário aos que têm dois e não querem enxergar.

           E verdade que, em virtude dessa situação fronteiriça entre a fonte impura do jornalismo no “usar informação de amigo”,  não optar simplesmente por “mentir” e a literatura     para a desgraça desta, quantas vezes  –, nasceu o livro revelação-denúncia de Evandro Nóbrega, obedecendo, entretanto, a procedimentos e padrões da arte literária.

           Afinal de contas as nossas raízes são ibéricas, se bem que portuguesas, com a inevitável vizinhança espanhola invadindo os nossos ouvidos. Destarte o aproveitamento de elementos típicos que encarnam o ardil, a astúcia, a vigarice, nas nossas narrativas mais exemplares, recolhendo entre libertinos, jactanciosos, pícaros e estelionatários, momentos vivos e propícios ao humorismo, filosóficos na sua essência. É a reação que se impõe ao temor em face da opressão, à contestação de idéias e conceitos impostos contra a equidade.

           O “burgês fidalgo” admirou-se ao descobrir que falava em “prosa”, forma de expressão literária que certamente o destacaria entre os homens.  Do mesmo jeito os teorizadores recorreram aos declamadores ambulantes  da Grécia Antiga, para classificarem certas obras musicais de Tomaschek, Lizt, Brahms  como “rapsódias”, o que levou os estudiosos brasileiros a enquadrarem no modelo, por extensão, a genial narativa de Mário de Andrade  “Macunaíma”.

           As regras, pois, existem. Que dizer de “A Pedra do Reino”, “O Nome da Rosa”, das “Aventuras de Pedro Malazartes” e sobre os inventores Mário, Eco, Ariano e José Vieira? Nesse time joga muito bem Evandro Nóbrega, com as suas memórias de repórter-aprendiz, elevando-se à massiva e compacta erudição da  “Encilopaedia Britanica 15ª Edição”.

           Se tudo é genialidade ou velhacaria no livro, desde a ciência mais legítima aos personagens mais reais, a exemplo da “oquidade da terra” (certamente da matéria) admitida por cientistas do III Reich e pelo Conde Alexandre, que dizer de reencarnações através dos séculos, sem “elevação ou purificação”, ditando a mesma e incorrigível conduta do “veraz” Arnald Tavaritch; do “frenologista” Guedes Neonatus no aprofundamento de pesquisas sobre o Ponto G, determinante do maior prazer sexual entre as mulheres; do “potente” Satie Hernán , no seu poema “olhar de lince”, acompanhando o vôo de um “coragyps atratus foetens”, dos céus dos Patins-do-Majó-Migué até as pro-ximidades de Pombal!!

           O húngaro Georg Lukács, com a inteligência dos ciganos, ensinou aos sabidos da literatura que  “toda obra de arte autêntica obedece e amplia ao mesmo tempo, as leis do seu próprio gênero.”

           Acho que a partir de Cervantes até Evandro, tal regra mostra-se verdadeira. O Conde Alexandre, como o Quixote, como Quaderna e os seus séquitos, os desejos e as denuncias novelosas, são páginas da literatura, e como tal, reflexos estéticos da luta entre o novo e o velho. Acusa-a sabiamente o terceiro olho, hoje mais do que nunca necessário, para esclarecer as nuanças (patifarias) liberalizantes, globalizantes no mundo governado pelo famoso predador G7 (grupo dos sete países mais ricos na sociedade internacional), do qual temos o mais venal de seus agentes no nosso país, o presidente Fernando Henrique Cardoso.

           Desse ponto de vista, vê-se a desnecessidade de ajustamentos ao modelo novela/romance/reportagem, do delicioso e auspicioso relato/narrativa/memória, enfim rapsódia, dos fatos do nosso povo nordestino, nas peripécias rocambolescas do Conde Alexandre e do Foca Aprendiz, conforme manda a literatura imaginativa na opinião de muitos, talvez de poucos.

           Vale uma indagação para terminar: Evandro é mais Cervantes?  Evandro é mais do que outros famosos narradores pícaros, visto cada um isoladamente ou no conjunto de sua obra? Responderei:  Evandro, eu acho, é a pluralidade na unidade: é cosmos, é construção.

           Os escritores, no caso, os que relatam a vida, espantam-se frequentemente com achegas críticas de qualquer natureza que visam a sua obra. O caso é que a teoria nem sempre informa corretamente a prática. Sensibilidade, posições políticas, filosóficas, resíduos ideológicos procuram fazer valer as suas teses. De sorte que a literatura imaginativa enfrenta o risco de chegar aos “compêndios”, estranha aos seus autores.

                    Lagoa de Baixo, 1996.



Categoria: textos antigos
Escrito por Eilzo Matos às 09h56
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