Prosa Caótica


Mudança de Partido Filiação ao PT

MUDANÇA DE PARTIDO, 2001 – NOTA DE ESCLARECIMENTO.

 

                                                     

       Milito na política paraibana há mais de trinta anos. Esta, a razão dos esclarecimentos que ofereço nesta nota dirigida aos meus atuais e ex-correligionários de partido. E, sobretudo ao povo que, com o seu apoio, inspirou-me nesta luta.    Ingressei na política por opção pessoal, influenciado pelas situações sociais que me sensibilizavam e formavam a minha consciência.  Intelectualmente coloquei-me à esquerda no campo das idéias, convivendo com as circunstâncias que me levavam a alianças e contestações.

       Sem disputar mandatos, ultimamente, enveredei por outro caminho  - o da prática literária. Entendo que, a política como a arte, buscam o conhecimento, isto é, a revelação da sociedade e o aprimoramento do homem no sentido ético.

       Foi o afastamento da ética, o desprezo pelos seus princípios mais comezinhos, que passara a adotar o PMDB, integrando a chamada "base de sustentação do governo" no Congresso Nacional, o que me fez procurar a alternativa partidária. No momento histórico-político nacional, o Partido dos Trabalhadores assume esses compromissos com a ética política, a democracia e a pátria, ignorados pelo governo FHC e a sua "falange espanhola".

       Faz-se importante esclarecer, no tocante à vida política paraibana e sousense, que o PMDB, que se jactara de não tolerar "camaleões" nas suas fileiras, tornara-se, passivamente, "barriga de aluguel" dos arrogantes "tucanos". E esta prática política eu não aceitava. Os insultos trocados entre os chamados grupos tradicionais da política estadual dizem de sua prática. Ronaldo apela para o heroísmo do seu passado e rende-se, afoga-se no pântano do PSDB. Maranhão divulga a honorabilidade do seu governo, mas favorece e patrocina figuras notórias de conduta irregular, envolvidas em assuntos escusos, que participam do seu governo, freqüentam a mesa da residência oficial.

Chegou a hora de resistir. Conclamei através de manifesto, as lideranças do meu partido que, postergaram um passado de lutas, passaram a coonestar com as suas bancadas no Congresso, todos os crimes e patifarias de FHC. Não fora o patriotismo e a coragem do deputado Avenzoar Arruda, que enfrenta com decidido apoio popular, esta trama lesa-pátria, a Paraíba restaria desmoralizada por unanimidade.

        As eleições do próximo ano têm como objetivo principal à reestruturação do Estado Brasileiro, desmontado e arruinado pelo conluio Fernando Henrique Cardoso e especuladores financeiros estrangeiros, cuja arma de dominação foi à corrupção apoiada na violência. O resultado aí está nas estatísticas desastrosas do crescimento das dívidas interna e externa, dos factóides programáticos fracassados, de que são exemplos a famosa Corregedoria fantasma, a segurança pública, o controle dos preços, o apagão, a violência das operações-abafa, as agências reguladoras dos serviços privatizados, onde os titulares dos negócios, ganham sempre do governo corrompido e do povo feito vítima. Ninguém ignora estes fatos. A verdade é que existe no país um implacável sistema de coação social, também apoiado na mídia, pressionando o cidadão.

       Perdeu, assim, o país, o seu patrimônio no espúrio e imoral processo de privatização das empresas públicas, e o respeito internacional. Dói no coração dos brasileiros saber que o seu presidente é cínico, mente e é debochado como apregoa a imprensa. Que dizer mais deste homem? Sua penúria moral está arruinando os nossos costumes. Formamos no elenco dos subalternos, dos vendilhões da pátria. No comentário de jornalistas competentes, este é um governo de negociantes e negociatas. 

       Integrado, pois, à luta dos patriotas, dos militantes do Partido dos Trabalhadores, conclamo os paraibanos, para buscarmos nas eleições que se aproximam, a alternativa de um novo governo, de um novo legislativo, isentos de tantos vícios que comprometeram a nossa soberania, a nossa história. Esta opção está no PT com os seus aliados.  Sousa, novembro de 2001. Eilzo Matos.........................................

 



Categoria: textos antigos
Escrito por Eilzo Matos às 06h59
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Carta a Gonzaga Rodrigues

 

Gonzaga:

 

         Você não imagina quanto valem a sua opinião e a sua palavra para os paraibanos. Mudou a minha vida depois de sua dissertação sobre o meu perfil de cidadão. Melhor pra mim que estava “arquivado”. Até aqui no mato, onde moro, escuto de visitantes eventuais: " Gonzaga falou em você. Li no Norte".

A bem da verdade, e como agradecimento, devo lhe explicar fatos de minha vida como cidadão e como modesto político paraibano. Desculpe se me alongar.

                                                                                *

Esta minha comentada adesão a  Bobbio, é referência alheia, de amigos inconformados com o meu radicalismo filosófico. A minha concepção do mundo sustenta-se no materialismo histórico e dialético marxista, lido e aprendido na revista “Problemas”, na Década Cinqüenta, editada pelo Partido Comunista do Brasil, que encontrei na casa de minha tia Zina, casada com um comunista. Aprimorei em Campina Grande em discussões com Celestino, garçom de uma sorveteria na Maciel Pinheiro, e outros notáveis comunistas, uma conduta militante de esquerda.

De lá pra cá, fundamentei e melhorei as minhas noções sobre este método do conhecimento e ação no manual de Georges Politzer e outros, intitulado “Princípios Fundamentais de Filosofia”. Divulgação de caráter “pedagógico” dirigida certamente para simpatizantes ou militantes esquerdistas, comunistas. Teóricos do socialismo são referidos: Stálin, Plekhanov, Trotsky, Marx, Engels, Lênin, alguns lidos no original traduzido, e outros e outros, citados e comentados em textos aplicados à história da filosofia, e, particularmente da revolução russa. E noções sobre história geral da filosofia ocidental. Você  palmilhou caminhos semelhantes, com certeza.

                                                                                *

Nossos projetos políticos de esquerda tornavam-se inviáveis ante a reaçao violenta da direita organizada, sempre fortalecida no cenário internacional. Éramos algumas vezes envolvidos em coalizões partidárias que nos desacreditavam. Amargávamos o fracasso que coroava nossas ações. Assim em 1930, 1945, 1964, 85, 2002, para resumir.

 

Bobbio condena o radicalismo das posições políticas dc direita e de esquerda, que no legaram o nazi-fascismo e a URSS como inimigas da democracia. E reconhece que a sua proposta é simplesmente uma opção: limitar a expansão do Estado e o avanço do Mercado nos níveis que conhecemos. Aproveitar o que cada proposta apresenta de útil, conciliar quando necessário. Depois, com alternativas chegaremos à democracia. Mais ou menos isto. É o que tenho colocado em discussão, procurando construir, um caminho que nos leve à democracia. Mas limitada a ação individual ou institucional aos princípios da ética. Aos meus críticos resta o direito de afirmar que “Bobbio está em cima do muro”.

                                      *

Eis as noções que aprendi, as situações que vivi.

Provavelmente li certos autores citados por Politzer como afirmei antes. Com tais leituras formei a minha convicção e não consigo raciocinar de outra forma crítica, senão a ele recorrendo e aos autores por ele referidos.

– Posições políticas contraditórias por mim adotadas? –

Provavelmente algumas vezes as adotei, motivadas na prática ensinada pelos teóricos, militantes e comentaristas da história das lutas socialistas no mundo. Começamos com Marx  que, apesar das ferozes censuras feitas à obra de Proudhon, defende algumas de suas teses, a ele se "encosta" na Primeira Internacional, em face de sua aceitação pelo movimento operário. E Prestes? Saiu da prisão para apoiar Vargas cuja polícia política o perseguira e os comunistas, prendera Olga sua esposa e a entregara aos nazistas que a sacrificariam nos campos de concentração da Alemanha.

É verdade que as situações e fatores determinantes dessas posições políticas diferem das nossas. Como? Até que ponto?

João Agripino nos filiou (o seu grupo político) na ARENA, partido renegado pelos democratas. Mas Antonio Mariz  na Câmara falou sobre a necessidade de respeito aos direitos humanos o que não era observado pelos governos militares, quando todos silenciavam. Pouco? Mas não se corrompeu. De minha parte registrei nos Anais da Assembléia o falecimento do poeta comunista chileno Pablo Neruda, um proscrito na política da América Latina, quando nenhum se propôs fazê-lo. Pouco? Mas não me corrompi.

Sem mandato, publiquei manifestos e ocupei a “tribuna do cidadão” na Câmara Municipal de Sousa para denunciar a política lesa pátria que o neoliberalismo impunha aos brasileiros. Combati as privatizações, mudei de partido, e mesmo no mato e sem mandato, escanteado pela mídia do jabá, utilizo a possível liberdade que oferece a internet para assumir e publicar as minhas posições políticas. Só.

Abraço do amigo Eilzo Matos                                                                

Sertão da Paraíba, 29/6/2008

 

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Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 07h47
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