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TV
A televisão é uma usina ideológica. Gera milhares de megawatts de ideologia a cada programa, por mais inocente que pareça ser. E ideologia como definiu Marx: encobrimento da realidade, engano, ilusão, falsa consciência. Então, se considerarmos que a maioria da população latino-americana, aí incluída a brasileira, se informa e se forma através desse veículo, pensá-la e analisá-la deveria ser tarefa intelectual de todo aquele que pensa o mundo. Afinal, como bem afirma Chomsky, no seu clássico “Os Guardiões da Liberdade”, os meios atuam como sistema de transmissão de mensagens e símbolos para o cidadão médio. “Sua função é de divertir, entreter e informar, assim como inculcar nos indivíduos os valores, crenças e códigos de comportamento que lhes farão integrar-se nas estruturas institucionais da sociedade”. Não é sem razão que bordões, modas e gírias penetram nas gentes de tal forma que a reprodução é imediata e sistemática. Um termômetro dessa usina é a famosa “novela das oito”, que consolidou um lugar no imaginário popular desde os anos 60, com a extinta Tupi, foi recuperado com maestria pela Globo e vem se repetindo nos demais canais. O horário nobre é usado pela teledramaturgia para repassar os valores que interessam à classe dominante, funcionando como uma sistemática propaganda que visa a manutenção do estado de coisas. É clássica, nos folhetins, a eterna disputa entre o bem e o mal, o pobre e o rico, com clara vinculação entre o bem e o rico. Sempre há um empresário bondoso, uma empresária generosa, um fazendeiro de grande coração, que são os protagonistas. E, se a figura principal começa a novela como pobre é certo que, por sua natural bondade, chegará ao final como uma pessoa rica e bem sucedida, porque o que fica implícito que o bem está colado à riqueza, vide a Griselda de Fina Estampa, a novela da vez. Outro elemento bastante comum nas novelas é o da beleza da submissão. Como os protagonistas são sempre pessoas ricas, eles estão obviamente cercados dos serviçais, que, no mais das vezes os amam e são muito “bem-tratados” pelos patrões. Logo, por conta disso, agem como fiéis cães de guarda. Um desses exemplos pode ser visto atualmente na novela global. É o empregado-amigo (?) da vilã Tereza Cristina. Ele atua na casa da milionária como um mordomo, cúmplice, saco de pancadas, dependendo do humor da mulher. Ora ela lhe conta os dramas, ora lhe bate na cara, ora lhe ameaça tirar tudo o que já lhe deu. E ele, premido pela necessidade, suporta tudo, lambendo-lhe as mãos como um cachorrinho amestrado. Tudo é tão sutil que não há quem não se sinta encantado pelo personagem. Ele provoca o riso e a condescendência, até porque ainda é retratado de forma caricata como um homossexual cheio de maneios, trejeitos e extremamente servil. Mas, se o servilismo de Crô pode ser questionado pela profunda afetação, outros há que aparecem ainda mais sutis. É o caso da turma da praia que, na pobreza, hostilizava Griselda e, agora, depois que ela ficou rica, passou para o seu lado, vindo inclusive trabalhar com a faz-tudo, assumindo de imediato a postura de defensores e amigos fiéis. Ou ainda a relação dos demais trabalhadores com os patrões “bonzinhos”, como é o caso do Paulo, o Juan, o homem da barraquinha de sucos, e o Renê. Todos são “amigos” e fazem os maiores sacrifícios pelos patrões, reforçando a ideia de que é possível existir essa linda conciliação de classe na vida real. O grupo que atua com o cozinheiro Renê, por exemplo, foi demitido pela vilã, não recebeu os salários, viveu de brisa por um tempo e retomou o trabalho com o antigo chefe por pura bem-querença. Coisa de chorar. Nesses folhetins também os preconceitos que interessam aos dominantes acabam reforçados sob a faceta de “promoção da democracia”. O negro já não aparece apenas como bandido, mas segue sendo subalterno. No geral faz parte do núcleo pobre, mas é generoso e sabe qual é o “seu lugar”. É o caso do ético funcionário da loja de motos. Um bom rapaz, que, no máximo, pode chegar a gerente da loja. As pessoas que discutem uma forma alternativa de viver aparecem como gente “sem-noção”, no mais das vezes caricaturada, como é o caso da garota que prevê o futuro, a mulher negra que era bruxa, o rapaz que brinca com fogo ou os donos da pousada que em nada se diferem de empresários comuns, a não ser nas roupas exotéricas. Ou o personagem do Zé Mayer, numa antiga novela, que via discos voadores, não aceitava vender suas terras e, no final, “fica bom”, entregando sua propriedade para a empresária boazinha que era dona de uma papeleira. Os homossexuais também encontram espaço nas novelas, dentro da lógica da “democratização”, mas continuam sendo retratados de forma folclórica, como é o caso do Crô, na novela das oito, ou do transexual da novela das sete. Já o índio, como é invisível na vida real, tampouco tem vez nas tramas novelistas e quando tem, como a novela protagonizada por Cléo Pires, vem de forma folclórica e desconectada da vida real. E assim vai... Gente há que fica indignada com os modelos que as telenovelas reproduzem ano após ano, mas essa é realidade real. Os folhetins nada mais fazem do que reforçar as relações de produção consolidadas pelo sistema capitalista. Até porque são financiados pelo capital, fazendo acontecer aquilo que Ludovico Silva chama de “mais-valia ideológica”. Ou seja, a pessoa que está em casa a desfrutar de uma novela, na verdade segue muito bem atada ao sistema de produção dessa sociedade, consumindo não só os produtos que desfilam sob seu olhar atento, enquanto aguardam o programa favorito, mas também os valores que confirmam e afirmam a sociedade atual. Prisioneira, a pessoa permanece em estado de “produção”, sempre a serviço da classe dominante. Assim, diante da TV – e sem um olhar crítico - as pessoas não descansam, nem desfrutam. É certo que a televisão e os grandes meios não definem as coisas de forma automática. Como bem já explicou Adelmo Genro, na sua teoria marxista do jornalismo, os meios de comunicação também carregam dentro deles a contradição e vez ou outra isso se explicita, abrindo chance para a visão crítica. Momentos há em que os estereótipos aparecem de maneira tão ridícula que provocam o contrário do que se pretendia ou personagens adquirem tanta força que provocam um explodir da consciência. E, nesses lampejos, as pessoas vão fazendo as análises e podem refletir criticamente. Mas, de qualquer forma, esses momentos não são frequentes nem sistemáticos, o que só confirma a função de fabricação de consenso que é reservada aos meios. Um caso interessante é o do transexual que está sendo retratado na novela da Record, que passa às dez horas. “Dona Augusta” é nascida homem e se faz mulher, sem a folclorização do que é retratado na Globo. É “descoberta” pelo filho que a interna como louca. Toda a discussão do tema é muito bem feita pelos autores, sem estereótipos, sem falsa moral. Mas, é a TV dos bispos evangélicos, que, por sua vez, na vida real pregam a homossexualidade como “doença”. São as contradições. De qualquer sorte, a teledramaturgia brasileira deveria ser bem melhor acompanhada pelos sindicatos e movimentos sociais. E cada um dos personagens deveria ser analisado naquilo que carrega de ideologia. Não para ensinar aos que “não sabem”, mas para dialogar com aqueles que acabam capturados pelo véu do engano. Assim como se deve falar do que silencia nos meios, o que não aparece, o que não se explicita, também é necessário discutir sobre o que é inculcado, dia após dia, como a melhor maneira de se viver. Pois é nesse entremeio de coisas ditas, malditas e não ditas, que o sistema segue fabricando o consenso, sempre a favor da classe dominante.
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Escrito por Eilzo Matos às 10h18
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Saramago
Opinião: A coerência de Saramago Seria uma redundância escrever sobre a qualidade da obra de José Saramago. Ficará para a posteridade como ficaram Camões, Eça e Pessoa? Eis uma pergunta que só o tempo pode responder. O fato é que Saramago foi consagrado em vida pela crítica, pelo público e pelo mais prestigiado dos prêmios, o Nobel, e isso fez com que suas ideias fossem ouvidas e discutidas em todos os continentes. Portanto, em vez de falar diretamente de seus romances, prefiro falar de sua coerência. Dono de uma seriedade que muitos confundiam com arrogância, Saramago costumava dizer que, ao contrário do pensamento corrente, não era um intelectual antirreligioso, apenas limitava-se a praticar o seu “discreto” ateísmo. Esse discreto, verdade seja dita, era mais do que uma ironia, era um escândalo, já que muitos dos seus livros, com destaque para O Evangelho Segundo Jesus Cristo, podem ser resumidos como ataques contra as limitações do pensamento cristão. Seu objetivo não era esculhambar a Igreja Católica, tão forte em Portugal, mas chamar a atenção do mundo para problemas mais urgentes como a fome, a ignorância e a violência. É por isso que, no Evangelho, o Jesus que vemos é um homem como outro qualquer. Ainda que tenha causado a fúria dos conservadores e da teologia oficial, essa é a grande contribuição de Saramago para o debate religioso: humanizar deus (aqui com minúscula) para endeusar o Humano (aqui com maiúscula). Na arena política, a participação de Saramago não foi menos polêmica. Comunista convicto, nunca abandonou os postulados da esquerda, mesmo depois do sucesso, e os petardos que arremessava contra as injustiças do Capital eram tão desconcertantes quanto a forma com que desconstruía o comodismo do senso comum. Antes que meus queridos blumenauenses fundamentais de direita torçam seus olímpicos narizes, devo acrescentar um dado importante à trajetória do Saramago comedor de criancinhas. Há alguns anos, diante do fuzilamento de cidadãos cubanos que tentavam fugir da ilha, o escritor imediatamente rompeu com Fidel Castro. “Cuba destruiu os meus sonhos”, ele disse, e assim o fez por ser fiel a seus princípios. Do mesmo modo que não concebia deuses maiores do que homens, também descartava a ideia - tão comum entre a esquerda mais ortodoxa - de que a História seja mais importante do que o Indivíduo. Isso se chama coerência, e esse é o grande legado do mestre português. maicon.tenfen@santa.com.br
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Escrito por Eilzo Matos às 10h13
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FHC - ESCÂNDALOS
31 - Avanço da dengue A omissão do Ministério da Saúde é apontada como principal causa da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte. 32 – Verbas do BNDES Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle de ex-estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa. 33 - Crescimento pífio do PIB Na "Era FHC", a média anual de crescimento da economia brasileira estacionou em pífios 2%, incapaz de gerar os empregos que o País necessita e de impulsionar o setor produtivo. Um dos fatores responsáveis por essa quase estagnação é o elevado déficit em conta-corrente, de 23 bilhões de dólares no acumulado dos últimos 12 meses. Ou seja: devido ao baixo nível da poupança interna, para investir em seu desenvolvimento, o Brasil se tornou extremamente dependente de recursos externos, pelos quais paga cada vez mais caro. 34 – Renúncias no Senado A disputa política entre o Senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em torno da presidência do Senado expôs publicamente as divergências da base de sustentação do governo. ACM renunciou ao mandato, sob a acusação de violar o painel eletrônico do Senado na votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Levou consigo seu cúmplice, o líder do governo, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Jader Barbalho se elegeu presidente do Senado, com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também acabou por renunciar ao mandato, para evitar a cassação. Pesavam contra ele denúncias de desvio de verbas da Sudam. 35 - Racionamento de energia A imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico gerou o apagão. O povo se mobilizou para abreviar o racionamento de energia. Mesmo assim foi punido. Para compensar supostos prejuízos das empresas, o governo baixou Medida Provisória transferindo a conta do racionamento aos consumidores, que são obrigados a pagar duas novas tarifas em sua conta de luz. O pacote de ajuda às empresas soma R$ 22,5 bilhões. 36 - Assalto ao bolso do consumidor FHC quer que o seu governo seja lembrado como aquele que deu proteção social ao povo brasileiro. Mas seu governo permitiu a elevação das tarifas públicas bem acima da inflação. Desde o início do plano real até agora, o preço das tarifas telefônicas foi reajustado acima de 580%. Os planos de saúde subiram 460%, o gás de cozinha 390%, os combustíveis 165%, a conta de luz 170% e a tarifa de água 135%. Neste período, a inflação acumulada ficou em 80%. 37 – Explosão da violência O Brasil é um país cada vez mais violento. E as vítimas, na maioria dos casos, são os jovens. Na última década, o número de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos subiu 48%. A Unesco coloca o País em terceiro lugar no ranking dos mais violentos, entre 60 nações pesquisadas. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, na população geral, cresceu 29%. Cerca de 45 mil pessoas são assassinadas anualmente. FHC pouco ou nada fez para dar mais segurança aos brasileiros. 38 – A falácia da Reforma agrária O governo FHC apresentou ao Brasil e ao mundo números mentirosos sobre a reforma agrária. Na propaganda oficial, espalhou ter assentado 600 mil famílias durante oito anos de reinado. Os números estavam inflados. O governo considerou assentadas famílias que haviam apenas sido inscritas no programa. Alguns assentamentos só existiam no papel. Em vez de reparar a fraude, baixou decreto para oficializar o engodo. 39 - Subserviência internacional A timidez marcou a política de comércio exterior do governo FHC. Num gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço brasileiro. O governo do PSDB foi acanhado nos protestos e hesitou em recorrer à OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara aprovou moção de repúdio às barreiras protecionistas. A subserviência é tanta que em visita aos EUA, no início deste ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar os sapatos três vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças de aeroportos. 40 – Renda em queda e desemprego em alta Para o emprego e a renda do trabalhador, a Era FHC pode ser considerada perdida. O governo tucano fez o desemprego bater recordes no País. Na região metropolitana de São Paulo, o índice de desemprego chegou a 20,4% em abril, o que significa que 1,9 milhão de pessoas estão sem trabalhar. O governo FHC promoveu a precarização das condições de trabalho. O rendimento médio dos trabalhadores encolheu nos últimos três anos. 41 - Relações perigosas Diga-me com quem andas e te direi quem és. Esse ditado revela um pouco as relações suspeitas do presidenciável tucano José Serra com três figuras que estiveram na berlinda nos últimos dias. O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, é acusado de exercer tráfico de influência quando era diretor do Banco do Brasil e de ter cobrado propina no processo de privatização. Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório Marin Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões junto ao Banco do Brasil. Preciado, casado com uma prima de Serra, foi doador de recursos para a campanha do senador paulista. Outra ligação perigosa é com Vladimir Antonio Rioli, ex-vice-presidente de operações do Banespa e ex-sócio de Serra em empresa de consultoria. Ele teria facilitado uma operação irregular realizada por Ricardo Sérgio para repatriar US$ 3 milhões depositados em bancos nas Ilhas Cayman - paraíso fiscal do Caribe. 42 – Violação aos direitos humanos Massacres como o de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, onde 19 sem-terra foram assassinados pela polícia militar do governo do PSDB em 1996, figuram nos relatórios da Anistia Internacional, que recentemente denunciou o governo FHC de violação aos direitos humanos. A Anistia critica a impunidade e denuncia que polícias e esquadrões da morte vinculados a forças de segurança cometeram numerosos homicídios de civis, inclusive crianças, durante o ano de 2001. A entidade afirma ainda que as práticas generalizadas e sistemáticas de tortura e maus-tratos prevalecem nas prisões. 43 – Correção da tabela do IR Com fome de leão, o governo congelou por seis anos a tabela do Imposto de Renda. O congelamento aumentou a base de arrecadação do imposto, pois com a inflação acumulada, mesmo os que estavam isentos e não tiveram ganhos salariais, passaram a ser taxados. FHC só corrigiu a tabela em 17,5% depois de muita pressão da opinião pública e após aprovação de projeto pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, após vetar o projeto e editar uma Medida Provisória que incorporava parte do que fora aprovado pelo Congresso, aproveitou a oportunidade e aumentou alíquotas de outros tributos. 44 – Intervenção na Previ FHC aproveitou o dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo de 2002 para decretar intervenção na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 38 bilhões e participação em dezenas de empresas. Com este gesto, afastou seis diretores, inclusive os três eleitos democraticamente pelos funcionários do BB. O ato truculento ocorreu a pedido do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunitty. Dias antes da intervenção, FHC recebeu Dantas no Palácio Alvorada. O banqueiro, que ameaçou divulgar dossiês comprometedores sobre o processo de privatização, trava queda-de-braço com a Previ para continuar dando as cartas na Brasil Telecom e outras empresas nas quais são sócios. 45 – Barbeiragens do Banco Central O Banco Central – e não o crescimento de Lula nas pesquisas – tem sido o principal causador de turbulências no mercado financeiro. Ao antecipar de setembro para junho o ajuste nas regras dos fundos de investimento, que perderam R$ 2 bilhões, o BC deixou o mercado em polvorosa. Outro fator de instabilidade foi a decisão de rolar parte da dívida pública estimulando a venda de títulos LFTs de curto prazo e a compra desses mesmos papéis de longo prazo. Isto fez subir de R$ 17,2 bilhões para R$ 30,4 bilhões a concentração de vencimentos da dívida nos primeiros meses de 2003. O dólar e o risco Brasil dispararam. Combinado com os especuladores e o comando da campanha de José Serra, Armínio Fraga não vacilou em jogar a culpa no PT e nas eleições.
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Escrito por Eilzo Matos às 09h15
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FHC - Escândalos
13 - Base de Alcântara O governo FHC enfrenta resistências para aprovar o acordo de cooperação internacional que permite aos Estados Unidos usarem a Base de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do acordo são lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de depósitos de material americano serão interditadas a autoridades brasileiras. O acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o acordo determina ainda com que países o Brasil pode se relacionar nessa área. Diante disso, o PT apresentou emendas ao tratado – todas acatadas na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. 14 - Biopirataria oficial Antigamente, os exploradores levavam nosso ouro e pedras preciosas. Hoje, levam nosso patrimônio genético. O governo FHC teve de rever o contrato escandaloso assinado entre a Bioamazônia e a Novartis, que possibilitaria a coleta e transferência de 10 mil microorganismos diferentes e o envio de cepas para o exterior, por 4 milhões de dólares. Sem direito ao recebimento de royalties. Como um único fungo pode render bilhões de dólares aos laboratórios farmacêuticos, o contrato não fazia sentido. Apenas oficializava a biopirataria. 15 - O fiasco dos 500 anos As festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob coordenação do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL-PR), se transformaram num fiasco monumental. Índios e sem-terra apanharam da polícia quando tentaram entrar em Porto Seguro (BA), palco das comemorações. O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, é um dos denunciados pelo Ministério Público de participação no epísódio de superfaturamento da construção do estande brasileiro na Feira de Hannover, em 2000. 16 - Eduardo Jorge, um personagem suspeito Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, é um dos personagens mais sombrios que freqüentou o Palácio do Planalto na era FHC. Suspeita-se que ele tenha se envolvido no esquema de liberação de verbas para o TRT paulista e em superfaturamento no Serpro, de montar o caixa-dois para a reeleição de FHC, de ter feito lobby para empresas de informática, e de manipular recursos dos fundos de pensão nas privatizações. Também teria tentado impedir a falência da Encol. 17 - Drible na reforma tributária O PT participou de um acordo, do qual faziam parte todas as bancadas com representação no Congresso Nacional, em torno de uma reforma tributária destinada a tornar o sistema mais justo, progressivo e simples. A bancada petista apoiou o substitutivo do relator do projeto na Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Mussa Demes (PFL-PI). Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o Palácio do Planalto impe-diram a tramitação. 18 - Rombo transamazônico na Sudam O rombo causado pelo festival de fraudes transamazônicas na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, no período de 1994 a 1999, ultrapassa R$ 2 bilhões. As denúncias de desvios de recursos na Sudam levaram o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) a renunciar ao mandato. Ao invés de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo. 19 - Os desvios na Sudene Foram apurados desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A fraude consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como no caso da Sudam, FHC decidiu extinguir o órgão. O PT também questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal. 20 - Calote no Fundef O governo FHC desrespeita a lei que criou o Fundef. Em 2002, o valor mínimo deveria ser de R$ 655,08 por aluno/ano de 1ª a 4ª séries e de R$ 688,67 por aluno/ano da 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e da educação especial. Mas os valores estabelecidos ficaram abaixo: R$ 418,00 e R$ 438,90, respectivamente. O calote aos estados mais pobres soma R$ 11,1 bilhões desde 1998. 21 - Abuso de MPs Enquanto senador, FHC combatia com veemência o abuso nas edições e reedições de Medidas Provisórias por parte José Sarney e Fernando Collor. Os dois juntos editaram e reeditaram 298 MPs. Como presidente, FHC cedeu à tentação autoritária. Editou e reeditou, em seus dois mandatos, 5.491medidas. O PT participou ativamente das negociações que resultaram na aprovação de emenda constitucional que limita o uso de MPs. 22 - Acidentes na Petrobras Por problemas de gestão e falta de investimentos, a Petrobras protagonizou uma série de acidentes ambientais no governo FHC que viraram notícia no Brasil e no mundo. A estatal foi responsável pelos maiores desastres ambientais ocorridos no País nos últimos anos. Provocou, entre outros, um grande vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio, outro no Rio Iguaçu, no Paraná. Uma das maiores plataformas da empresa, a P-36, afundou na Bacia de Campos, causando a morte de 11 trabalhadores. A Petrobras também ganhou manchetes com os acidentes de trabalho em suas plataformas e refinarias que ceifaram a vida de centenas de empreg. 23 - Apoio a Fujimori O presidente FHC apoiou o terceiro mandato consecutivo do corrupto ditador peruano Alberto Fujimori, um sujeito que nunca deu valor à democracia e que fugiu do País para não viver os restos de seus dias na cadeia. Não bastasse isso, concedeu a Fujimori a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, o principal título honorário brasileiro. O Senado, numa atitude correta, acatou sugestão apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e cassou a homenagem. 24 - Desmatamento na Amazônia Por meio de decretos e medidas provisórias, o governo FHC desmontou a legislação ambiental existente no País. As mudanças na legislação ambiental debilitaram a proteção às florestas e ao cerrado e fizeram crescer o desmatamento e a exploração descontrolada de madeiras na Amazônia. Houve aumento dos focos de queimadas. A Lei de Crimes Ambientais foi modificada para pior. 25 – Os computadores do FUST A idéia de equipar todas as escolas públicas de ensino médio com 290 mil computadores se transformou numa grande negociata. Os recursos para a compra viriam do Fundo de Universalização das Telecomunicações, o Fust. Mas o governo ignorou a Lei de Licitações, a 8.666. Além disso, fez megacontrato com a Microsoft, que teria, com o Windows, o monopólio do sistema operacional das máquinas, quando há softwares que poderiam ser usados gratuitamente. A Justiça e o Tribunal de Contas da União suspenderam o edital de compra e a negociata está suspensa. 26 - Arapongagem O governo FHC montou uma verdadeira rede de espionagem para vasculhar a vida de seus adversários e monitorar os passos dos movimentos sociais. Essa máquina de destruir reputações é constituída por ex-agentes do antigo SNI ou por empresas de fachada. Os arapongas tucanos sabiam da invasão dos sem-terra à propriedade do presidente em Buritis, em março deste ano, e o governo nada fez para evitar a operação. Eles foram responsáveis também pela espionagem contra Roseana Sarney. 27 - O esquema do FAT A Fundação Teotônio Vilela, presidida pelo ex-presidente do PSDB, senador alagoano Teotônio Vilela, e que tinha como conselheiro o presidente FHC, foi acusada de envolvimento em desvios de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Descobriu-se que boa parte do dinheiro, que deveria ser usado para treinamento de 54 mil trabalhadores do Distrito Federal, sumiu. As fraudes no financiamento de programas de formação profissional ocorreram em 17 unidades da federação e estão sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público. 28 - Mudanças na CLT A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou, contra o voto da bancada do PT, projeto que flexibiliza a CLT, ameaçando direitos consagrados dos trabalhadores, como férias, décimo terceiro e licença maternidade. O projeto esvazia o poder de negociação dos sindicatos. No Senado, o governo FHC não teve forças para levar adiante essa medida anti-social. 29 - Obras irregulares Um levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em 2001, indicou a existência de 121 obras federais com indícios de irregularidades graves. A maioria dessas obras pertence a órgãos como o extinto DNER, os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Uma dessas obras, a hidrelétrica de Serra da Mesa, interior de Goiás, deveria ter custado 1,3 bilhão de dólares. Consumiu o dobro. 30 - Explosão da dívida pública Quando FHC assumiu a Presidência da República, em janeiro de 1995, a dívida pública interna e externa somava R$ 153,4 bilhões. Entretanto, a política de juros altos de seu governo, que pratica as maiores taxas do planeta, elevou essa dívida para R$ 684,6 bilhões em abril de 2002, um aumento de 346%. Hoje, a dívida já equivale a preocupantes 54,5% do PIB.
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Escrito por Eilzo Matos às 09h11
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FHC - Escândalos
45 escândalos que marcaram o governo FHC 1 - Conivência com a corrupção O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se especializou em abafar denúncias. 2 - O escândalo do Sivam O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra. 3 - A farra do Proer O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. 4 - Caixa-dois de campanhas As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões. 5 - Propina na privatização A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. 6 - A emenda da reeleição O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. 7 - Grampos telefônicos Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. 8 - TRT paulista A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso. 9 - Os ralos do DNER O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo. 10 - O "caladão" O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD). Uma pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O "caladão" provocou prejuízo aos consumidores, às empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo. 11 - Desvalorização do real FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava "ou eu ou o caos". Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. 12 - O caso Marka/FonteCindam Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.
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Escrito por Eilzo Matos às 09h07
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FHC - traição à pátria
45 escândalos que marcaram o governo FHC 1 - Conivência com a corrupção O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se especializou em abafar denúncias. 2 - O escândalo do Sivam O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra. 3 - A farra do Proer O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais. 4 - Caixa-dois de campanhas As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões. 5 - Propina na privatização A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar. 6 - A emenda da reeleição O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara. 7 - Grampos telefônicos Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. 8 - TRT paulista A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso. 9 - Os ralos do DNER O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo. 10 - O "caladão" O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD). Uma pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O "caladão" provocou prejuízo aos consumidores, às empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo. 11 - Desvalorização do real FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava "ou eu ou o caos". Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas. 12 - O caso Marka/FonteCindam Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.
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Escrito por Eilzo Matos às 09h04
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FHC, itinerário de um esastre
FHC - Itinerário de um desastre. A obra de destruição realizada por FHC não pode ser fruto do acaso. Ela só pode ser fruto de um planejamento meticuloso. Nenhum governo teve mídia tão favorável quanto o de FHC, o que não deixa de ser surpreendente, visto que em seus dois mandatos ele realizou uma extraordinária obra de demolição, de fazer inveja a Átila e a Gêngis Khan. Vale a pena relembrar algumas das passagens de um governo que deixará uma pesada herança para seu sucessor. A taxa média de crescimento da economia brasileira, ao longo da década tucana, foi a pior da história, em torno de 2,4%. Pior até mesmo que a taxa média da chamada década perdida, os anos 80, que girou em torno de 3,2%. No período, o patrimônio público representado pelas grandes estatais foi liquidado na bacia das almas. No discurso, essa operação serviria para reduzir a dívida pública e para atrair capitais. Na prática assistimos a um crescimento exponencial da dívida pública. A dívida interna saltou de R$ 60 bilhões para impensáveis R$ 630 bilhões, enquanto a dívida externa teve seu valor dobrado. Enquanto isso, o esperado afluxo de capitais não se verificou. Pelo contrário, o que vimos no setor elétrico foi exemplar. Uma parceria entre as elétricas privatizadas e o governo gerou uma aguda crise no setor, provocando um longo racionamento. Esse ano, para compensar o prejuízo que sua imprevidência deu ao povo, o governo premiou as elétricas com sobretaxas e um esdrúxulo programa de energia emergencial. Ou seja, os capitais internacionais não vieram e a incompetência das privatizadas está sendo financiada pelo povo. FHC não pode ser fruto do acaso. Ela só pode ser fruto de um planejamento meticuloso. Dep. João Paulo Cunha – Líder do PT
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Escrito por Eilzo Matos às 08h55
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Entrevista III
Entrevista Blog de Tião Lucena (Cotinução) -- UM ROTEIRO DE IDÉIAS - DOCUMENTOS Os documentos a seguir, divulgados a partir de 1959, revelam as posições políticas que assumi na Paraíba, os fundamentos filosóficos que as sustentava, a ideologia que as impulsionava. Nasceram da leitura e do conhecimento dos fatos da vida nacional, do conhecimento humano, das minhas reflexões. Vejo na sua evolução a coerência de princípios fundamentais, centrados na razão e no humanismo. Em virtude da diferença de datas na sua elaboração e divulgação, ocorre a repetição de citações e argumentos. Pode parecer maçante tal fato, mas, são pertinentes as reiterações. 1 – O BRASIL PARA OS BRASILEIROS, revista “Letras do Sertão”, No. 18, pág. 14, outubro 1959, Sousa Paraíba. 2 – CUBA UMA COLÔNIA QUE SE LIBERTOU, revista “Letras do Sertão” No. 21, pág 29, janeiro 1961, Sousa Paraíba. 3 – ASPECTOS DA REALIDADE BRASILEIRA, revista “Letras do Sertão” No. 24, pág 7, outubro 1962, Sousa Paraíba. 4 – CADERNOS DO POVO BRASILEIRO, revista “Letras do Sertão”, No. 25, pág. 27, março 1967, Sousa Paraíba. *** 1 – EM DEFESA DO BRASIL – Manifesto lido em ato público em João Pessoa no dia 1º de março de 1999. 2 – FILIAÇÃO AO PT, Nota de esclarecimento. Sousa, novembro de 2001. 3 – FILIAÇÃO AO PSB – Nota publicada no Correio da Paraíba no dia 30 de novembro de 2005. 4 – MOÇÃO PÚBLICA AOS CONVENCIONAIS DO PSB – Publicada no Correio da Paraíba no dia 28 de junho de 2006. 5 – SOBRE ANTONIO MARIZ E O PAVILHÃO DO CHÁ – Publicado no Blog do Tião, 24 de julho de 2006. E demais textos divulgados em discursos, conferências, artigos e manifestos, alguns publicados em jornais da capital e através da internet no endereço do correio eletrônico eilzopb@yahoo.com.br ; blog, eilzomatos.zip.net. 7 - Cássio Cunha Lima assume ou não assume o Senado? R – Difícil arriscar uma afirmação quando o Poder Judiciário encontra-se num “baixo-astral” de fazer medo. Parece que não se julga mais o direito aplicável às demandas, mas as pessoas. É o que comenta a imprensa. 8 - Como você está vendo esse cai cai de ministros no Governo Dilma? R – Lula buscava resultados em números que revelassem crescimento. Dilma defende a ética como padrão de conduta dos que fazem o seu governo. 9 - A corrupção será debelada um dia deste país? R – É o que desejam os brasileiros. Mas é preciso lembrar que o neoliberalismo (globalização) permite que o Mercado engula o Estado que cuida do interesses do país e do cidadão. E como o jogador fraudado nos cassinos, o cidadão se desespera na roleta viciada das bolsas de valores, fica abandonado à própria sorte. Só isto mesmo. 10 - Fale o que lhe der na telha. R - Tião: Estou no alpendre, deitado numa rede com um livro, uma xícara e uma garrafa de café embaixo, me balançando, sem ler, sem pensar, escutando o mundo. Só. Lá dentro a mulher bate em pratos e panelas, lava as peças da desnatadeira. O chocalho da novilha Mocinha, amojada para parir logo, toca no cercado perto de casa. No terreiro da cozinha o burro Canário e o jumento Azulão comem restos: palha de feijão, de milho, papel e pano velho. O cavalo de sela está numa roça melhor. Não dá para distinguir o canto dos pássaros, pois as danadas das Casacas de Couro, hoje estão com a peste no Pereiro Grande, no terreiro da frente – mais do que uma revolução, dois casais fazem uma guerra. Então me lembrei de você, de Beltrão, o amigo Chico Pinto, Mousinho, Deusinho, Fonteneli, o comentador literário de Guarabira, Josias, o professor Elias (faleceu, que pena),Wellington, Decson comendo cuscus sem gostar, Duré vez por outra, o pessoal do Cariri, das Espinharas e mais e mais. Quanto a você lamento a sua ingratidão e traição ao sertão natal. Cadê o título Casaca de Couro que daria ao seu blog? Pelo menos subtítulo, epígrafe. Pois eu conto a minha história. Na paz da minha vida, a minha prosa é caótica, daí o título do meu blog. Cuido da minha vida. Vou tapar o açude arrombado. Muito trabalho pela frente. Espero o inverno logo. Depois roça de milho, feijão e algodão, agora colorido, vazante de batata, e o cateretê de papo pro ar. Por pouco tempo, que vem o novo ano e novos trabalhos. Muito divertido por aqui. Pra vocês, até outro dia. Pode ser amanhã, ou nunca, pois o futuro a Deus pertence. Abraço Eilzo Matos. (só pra fazer inveja). MUDANÇA DE PARTIDO CANDIDATURA A DEPUTADO FEDERAL NOTA DE ESCLARECIMENTO Milito na política paraibana há mais de trinta anos. Esta a razão dos esclarecimentos que ofereço nesta nota dirigida aos meus atuais e ex-correligionários de partido. E, sobretudo ao povo que, com o seu apoio, inspirou-me nesta luta. Ingressei na política por opção pessoal, influenciado pelas situações sociais que me sensibilizavam e formavam a minha consciência. Intelectualmente coloquei-me à esquerda no campo das idéias, convivendo com as circunstâncias que me levavam a alianças e contestações. Sem disputar mandatos, ultimamente, enveredei por outro caminho – o da prática literária. Entendo que, a política como a arte, buscam o conhecimen-to, isto é, a revelação da sociedade e o aprimoramento do homem no sentido moral. Foi o afastamento da ética, o desprezo pelos seus princípios mais comezinhos, que passara a adotar o PMDB, integrando a chamada "base de sustentação do governo" no Congresso Nacional, o que me fez procurar a alternativa partidária. No momento histórico-político nacional, o Partido dos Trabalhadores assume esses compromissos com a ética política, a democracia e a pátria, ignorados pelo governo FHC e a sua "falange espanhola". Faz-se importante esclarecer, no tocante à vida política paraibana e sousense, que o PMDB, que se jactara de não tolerar "camaleões" nas suas fileiras, tornara-se, passivamente, "barriga de aluguel" dos arrogantes "tucanos". E esta prática política eu não aceitava. Os insultos trocados entre os chamados grupos tradicionais da política estadual dizem de sua prática. Ronaldo apela para o heroísmo do seu passado e rende-se, afoga-se no pântano do PSDB. Maranhão divulga a honorabilidade do seu governo, mas favorece e patrocina figuras notórias de conduta irregular, envolvidas em assuntos escusos, que participam do seu governo, freqüentam a mesa da residência oficial. Chegou a hora de resistir. Conclamei através de manifesto, as lideranças do meu partido que, postergaram um passado de lutas, passaram a coonestar com as suas bancadas no Congresso, todos os crimes e patifarias de FHC. Não fora o patriotismo e a coragem do deputado Avenzoar Arruda, que enfrenta com decidido apoio popular, esta trama lesa-pátria, a Paraíba restaria desmoralizada por unanimidade. As eleições do próximo ano têm como objetivo principal à reestruturação do Estado Brasileiro, desmontado e arruinado pelo conluio Fernando Henrique Cardoso e especuladores financeiros es-trangeiros, cuja arma de dominação foi à corrupção apoiada na violência. O resultado aí está nas estatísticas desastrosas do crescimento das dívidas interna e externa, dos factóides programáticos fracassados, de que são exemplos a famosa Corregedoria fantasma, a segurança pública, o controle dos preços, o apagão, a violência das operações-abafa, as agências reguladoras dos serviços privatizados, onde os titulares dos negócios, ganham sempre do governo corrompido e do povo feito vítima. Ninguém ignora estes fatos. A verdade é que existe no país um implacável sistema de coação social, também apoiado na mídia, pressionando o cidadão. Perdeu, assim, o país, o seu patrimônio no espúrio e imoral processo de privatização das empresas públicas, e o respeito internacional. Dói no coração dos brasileiros saber que o seu presidente é cínico, mente e é debochado como apregoa a imprensa. Que dizer mais deste homem? Sua penúria moral está arruinando os nossos costumes. Formamos no elenco dos subalternos, dos vendilhões da pátria. No comentário de jornalistas competentes, este é um governo de negociantes e negociatas. Integrado, pois, à luta dos patriotas, dos militantes do Partido dos Trabalhadores, conclamo os paraibanos, para buscarmos nas eleições que se aproximam, a alternativa de um novo governo, de um novo legislativo, isentos de tantos vícios que comprometeram a nossa soberania, a nossa história. Esta opção está no PT com os seus aliados. Destes fatos e acontecimentos nasceu a minha candidatura - e também como uma proposta do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Sousa. O PT e a oposição numa aliança patriótica derrotarão o neoliberalismo e seus agentes. ...........Sousa, novembro de 2001. Eilzo Matos............................... Sei que é muita coisa, mas você autorizou.
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Escrito por Eilzo Matos às 09h48
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Entrevista II
ENTREVISTA BLOGO TIÃO LUCENA, 02-11-2011. (Continuação) - Considero um dever, para a avaliação de minha efetiva participação na luta política que dominava o país, frisar que, estudante da Faculdade de Direito do Recife, a minha militância levou-me, na aliança operário-estudantil, em algumas oportunidades, a entrincheirar-me nos piquetes de violentos protestos do proletariado pernambucano, nas greves da “Tecelagem de Macaxeira”, do Sindicato dos Comerciários, na Rua da Imperatriz, dialogando eventualmente com Miguel Arrais, Gregório Bezerra, Chico Julião, David Capistrano e ouros líderes destacados da esquerda. Os ideais reconhecidamente “apaixonantes e otimistas do marxismo-leninismo e os triunfos imperiais dos exércitos do generalíssimo” na Segunda Guerra Mundial infundiam persuasão, esperanças e protestos na juventude que comentava e estudava a história nas universidades, através de leituras, na imprensa, de debates nos encontros político-culturais. Passei, por fim, como cidadão e profissional, a vivenciar os problemas do povo e do país, na urgência do momento, do agora. Buscava um modelo na história brasileira e encontrei-o no reformismo constitucional, dúbio é verdade, que nos legou a chamada Revolução de Trinta. Lutava como ainda hoje o faço, por um governo nacionalista no âmbito da cultura e da economia. Mas, igualmente fraterno, como anunciava o internacionalismo proletário prometido pelo socialismo de estado em voga. 4 - E o escritor Eilzo Matos, continua produzindo? R - A leitura e a reflexão tomam o tempo que me sobra das encrencas (seca, formigueiros, morcegos, saúde do rebanho, etc) rurais. E a internet permite através da chamada “rede social”, um contato com amigos ligados ao jornalismo e às letras. Mantenho um blog onde divulgo semanalmente breves comentários e ensaios sobre o cotidiano e questões do nosso tempo. Penso reeditar o romance “Viajantes do Purgatório” com apresentação de Evandro Nóbrega e o segundo tomo do “Prosa Caótica – jornal, ensaios, textos escolhidos”. 5 - Parece que você anda meio desiludido com a Academia. Não gostou de ter virado imortal? R - Ali encontrei velhos amigos e conhecidos militantes no mundo das letras. Nada contra a instituição. Um ambiente de fato estimulante para a discussão e elaboração de projetos culturais. Mas contido por interesses outros que também povoam o mundo das letras. Pessoas notáveis. E foi-me dada oportunidade de ocupar a cadeira que pertencera ao intelectual Luiz Augusto Crispim, um dos primeiros nomes que avistei na literatura viva paraibana. Ao chegar do Recife, retornando do longo período de aprendizado intelectual e militância política na velha Faculdade de Direito, a vida partidária em Sousa empurrou-me como deputado estadual para João Pessoa – cidade estranha para mim, que me tornara muito ligado a Pernambuco, desde os últimos anos do ginásio. A Paraíba era representada e lembrada por alguns conterrâneos que lá estudavam, se empregavam para ganhar a vida. Somente. Reiniciei, então, em João Pessoa, antiga convivência com o literato boêmio Virgínius da Gama e Melo, que conhecera na Mauriceia, num circuito de paraibanos – exilados alguns, indigitados devedores arrolados no arquivo da justiça criminal, campinenses principalmente: Gaudêncios, do Ó, Agra, Figueiredo, Rego e agregados. Freqüentávamos o bar “A Portuguesa”, agitado pela presença de comerciários, discretos jovens aficionados, escritores e produtores culturais, funcionários públicos, militantes partidários, pessoal ligado à imprensa, fregueses atraídos pelo jornalismo político e literário, praticado ali na proximidade do “Jornal do Comércio” e do “Diário de Pernambuco”, que se vigiavam. Em aqui chegando, à Parahyba, como se diz, ou melhor, dizem os perrepistas, integrei-me ao meio artístico-cultural. Participei de reuniões, compareci a conferências e debates. Escrevi para jornais. Tomei conhecimento de uma tese sobre literatura, divulgada em publicação recente, de autoria do jovem escritor Luiz Augusto Crispim – na linha do pensamento marxista do húngaro Georg Lukács, figura comentada e obrigatória ao lado de Sartre nos saraus literários dos comunistas e esquerdistas pernambucanos que eu frequentara. Dele me aproximei, ele prefaciou meu livro de versos “A Face do Tempo” e cultivamos grande amizade. Como você vê terminei imortal. O mais é coisa de “despeitado” como acentuavam os saudosos amigos Caixa Dágua e Mocidade, estes de fama imorredoura na memória da nossa Capital das Acácias, como cantou o meu colega de Faculdade no Recife, o poeta Jomar Souto. Veja você que fui convocado pelo presidente da casa para fazer o protocolar discurso, passados os 30 dias do falecimento do acadêmico Gláucio Veiga, uma sumidade no mundo das letras jurídicas, da filosofia, da literatura (célebres são as suas “proustianas” notas publicadas no Diário de Pernambuco em 1949). Conheci-o no Recife: eu estudante ele professor na Faculdade de Direito. Foi o mais vigoroso combatente da ideologia e das investidas do nazismo em Pernambuco durante a Segunda Guerra Mundial. Era conhecido nas rodas da escola como o “cabo marxista” como registra José Rafael de Menezes, e ele afirma que, deixando as fileiras do exército brasileiro a que servira: “Entrava na vida civil com a ortodoxia marxista-leninista” na pág 9 do seu tratado “História das Idéias na Faculdade de Direito do Recife”, dedicando ainda o III volume da obra citada ao coronel Clauss Von Stauffenberg, fuzilado por comandar a chamada “Operação Valkiria” que disparara uma bomba no gabinete de trabalho de Hitler, na tentativa de assassiná-lo. Pois fui contestado pelo acadêmico Joacil de Brito Pereira e pelo presidente Juarez Farias por ter feito tais referências, em plena sessão solene. Revidei que eles tinham a imprensa e a revista da academia e me contestassem, pois eu não mudaria uma virgula no discurso escrito. Fui informado depois que a jornalista Gisa Veiga, que não conheço pessoalmente, sobrinha de Gláucio, contestou entre amigos o meu discurso. O que disse está dito, as referência alinhadas. 6 - Você foi partidário de Ricardo Coutinho e de repente rompeu. Ricardo deixou de prestar pra você? R – Em política o meu compromisso é com a liberdade e a democracia e acho que é possível encontrá-la. Concordo com Norberto Bobbio que “A democracia não goza no mundo de ótima saúde, mas não está à beira do túmulo.” Não se trata de “otimismo ingênuo” como adverte o seu tradutor Marco Aurélio Nogueira, que completa: “Apesar de seus defeitos, a democracia permite a esperança, pois pode ser melhorada.” Esta é também a minha crença. Invisto contra todos que pela esquerda e pela direita, de forma antidemocrática, enganam o povo, traem compromissos assumidos de forma solerte e criminosa, como o fizeram Franco, Salazar, Pinochet, Fujimori e outros conhecidos genocidas, que servem de modelo inspirador a tipos como Ricardo Coutinho. Não me incluo entre os mais capazes, os mais isentos e imparciais. Quem não cometeu desacertos na vida? Se os cometi, todavia, não foram de natureza a me incluir no rol dos culpados ou processados pela justiça pública, objeto de investigação pela polícia judiciária, criminal, de receber na imprensa falada, escrita e televisionada a acusação, a pecha de estelionatário, de corrupto como os integrantes das coligações partidárias articuladas e arregimentadas pelo governador, mestre na dissimulação, na desfaçatez. E a sua presença no rol dos indiciados, dos processados, dos condenados. Este é o seu mal. É essa a sua decantada ética? Prossigo na minha luta, confortado pelas palavras do sociólogo Darcy Ribeiro, referindo-se à derrota de seus projetos em prol dos índios, de uma universidade livre: “Os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Sem outro relacionamento, além de determinação e conveniência partidária fiz dobradinha com Ricardo nas eleições de 2006, votados em Cajazeiras e Sousa por alguns filiados, com parede pintada e tudo. Aliás, como se diz, saí candidato a deputado federal atendendo instâncias de Avenzoar, no intuito de ajudar a eleição de Lula com alguns votos que arrancasse dos meus amigos conservadores. Só. “Se aceitarmos a legitimação adulatória de uma nova ditadura, a política não será mais do que o palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão de pequenas diferenças para melhor dissimular a enormidade das submissões e proibições que os unem... Neste mundo globalizado e totalitário, poderemos ainda, os jornalistas e intelectuais, ser o contra-poder, a voz dos sem-voz? Reconfortar os que vivem no conforto? Como fazer isso quando alguns de nós já pertencem à classe dominante?” (Sérgio Halimi) Ricardo tem quase toda a imprensa cooptada, conjurada, sugando as tetas dos cofres públicos, voltada em seu favor. Nos últimos anos, nos governos FHC e Lula cancelei sucessivamente, a minha filiação partidária ao PMDB e ao PT, e filiei-me ao PSB. Divulguei as razões que determinaram a minha decisão, na internet e na imprensa escrita, e em manifestos e conclamações ao povo brasileiro, definindo tarefas que exigiam a nossa decidida integração numa frente de luta comum. Em relação a Ricardo um erro tático: ele percebeu eu não coonestaria a sua conduta fraudulenta. Ocupei a “tribuna do cidadão” na Câmara Municipal de Sousa e os auditórios de universidades paraibanas (UFPB, UFCG, UEPB e UNIPE) convocando os cidadãos para a luta contra o processo imoral e lesa-pátria de privatizações do governo Fernando Henrique, a recuperação da ética como padrão de conduta dos homens públicos brasileiros. Por último, promovi debates sobre idéias discutidas pelos filósofos modernos Norberto Bobbio e John Rawls, a discussão dos programas partidários essenciais para compreensão do homem, da problemática política dos estados contemporâneos, que nos envolve. De tudo foi notificado Ricardo que ignorou o chamamento, a convocação. Na nossa Paraíba, por tais motivos, elevavam-se a cada dia as manifestações de rejeição aos candidatos a senador, patrocinados pelas facções partidárias que manipulam as chaves dos cofres públicos: PSDB, PT, PSB, PMDB, DEM para citar apenas estes. Como opção partidária, como anunciara anteriormente, sugeri ao partido ter um candidato a senador. Ricardo preferiu o corrupto Ney Suassuna que vendeu a honra da Paraíba arquivando no Senado a CPI que indiciava o Chefe de Gabinete de FHC Eduardo Jorge arrecadador das propinas recebidas pelo presidente. Foi nomeado ministro e demitido antes de 90 dias pela prisão de seus assessores com suspeitas e inexplicáveis malas de dinheiro em espécie. E iniciou a sua campanha para governador tendo como coordenador o deputado Armando Abílio, trocado depois pelo senador Efraim, nomes conhecidos na crônica política. - (Continua)
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Escrito por Eilzo Matos às 09h29
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Entrevista I
ENTREVISTA BLOG TIÃO LUCENA, 02-11-2011 1 - Como é a vida de um intelectual dentro das brenhas do Piancó? R - Tião, esta questão de “brenhas”, está mais ligada ao cangaço (você princesense sabe como era e que já passou), é uma romântica memória citadina, depois ilustrada pelos filósofos modernos como “aldeia rural” transformada mercê do desenvolvimento tecnológico da comunicação em “aldeia global” de modelo capitalista. De sorte que as minhas “brenhas” são na verdade, ambiente bastante animado, povoado de aparições: radio, tv, celular, computador, que nos conectam com o mundo. E geladeiras e microondas. Está, na frente da minha casa, somente, a ilha vegetal, o esquisito capão de mato. Surgiu como uma epígrafe, num tempo de minha vida ─ um símile extravagante ─ quando já avançado na idade me mudei da cidade para a fazenda num “acidente de percurso”: eu um citadino, menino de rua, de circo, de grupo escolar, de igreja, um estranho no lugar, que ali a minha presença noutro tempo era vilegiatura, ocasional, não era voltada para o trabalho e o dinheiro, motor das mudanças sociais, de que se ocupavam os proprietários de terra e os seus confinados moradores. Proprietário por herança, arrendada, meu pai não cuidava da terra, mas do comércio, preferia os ares da cidade, depois o irmão deputado o fez servidor público. 2 - Você já foi deputado no tempo dos tupamaros. Por que nasceram os tupamaros e o que o grupo fazia? R - Em breve notícia autobiográfica, alinhei referências sobre a minha participação na política partidária da minha cidade e do Estado, que teve início na Década Sessenta, ao lado de Clarence Pires, Antonio Mariz, Romeu Gonçalves, Otacílio Silveira e outros conterrâneos e amigos ligados a João Agripino. Em eleições seguidas marchamos numa frente de atuação comum, tendendo às posições ditas de esquerda no cenário nacional. A história local confirma os lances dessa militância político-partidária. Foi no tempo que João deixava o governo e o substituía o seu correligionário (UDN-ARENA) Ernani Sátiro escolhido em eleição indireta. Os dois não guardavam simpatia recíproca e os seus amigos também. No discurso de posse, certamente incomodado com a popularidade de João, Ernani disparou: “Sucedo um amigo e companheiro de partido, mas deixo claro que o meu governo não é papel carbono”. Dito e feito. Instalado o novo governo, o atilado deputado Edvaldo Mota que fazia oposição a Ernani em Patos, sentindo-se enfraquecido pela ascensão do seu adversário, num lance de esperteza, xeretou, cooptou, reuniu as “viúvas de João” para fortalecer a sua posição. Inexperiente no exercício do meu primeiro mandato, e o valoroso Waldir Lima por razões que só Deus sabe (depois Ernani qualificou-o de exasperado, que ele contestava aos berros) entramos de graça na querela patoense. Aí também funcionou a malandragem de Manoel Guadêncio e Johnson Gonçalves, que levaram as candidaturas de Álvaro deputado federal e Múcio Sátiro deputado estadual, em nome do novo governo, para catar votos em Sousa. Um era Chefe da Casa Civil o outro Oficial de Gabinete de Ernani, e profissionais no ramo da encrenca. E quantas dificuldades me criaram. Imagine que eu encaminhava e o governador atendia e solucionava reivindicação da região, e o telegrama que lá chegava era de Johnson! 3 - De repente você abandonou a política, quando dizem que quem entra nela não sai. Por que? R - Constatei na minha breve presença como parlamentar e ocupante de cargos no executivo, que entramos na política em razão de compromissos familiares de chefia local, em nome de idéias e interesses alheios, movidos pelo que chamamos espírito público, voltados para a realização de projetos grandiosos, de realizações no campo da administração. Isto logo desaparece, e permanecemos na cena, eu pelo menos, por mero capricho, para mostrar prestígio e coragem, para não ceder espaço, para figurar na linha dos titulares do poder político. A ideologia pouco representa para a maioria, mas o dinheiro vale muito e eu não o tinha. Afastei-me. Como afirmei em outras oportunidades, ao longo de minha vida, amadureci idéias, conceitos, convicções. Muito jovem, ainda, aí pelos dez anos de idade, a candidatura de um parente (Manoel Mariz de Oliveira, tio-afim) a deputado estadual pelo Partido Comunista, chamou a minha atenção para os valores sociais, em razão das discussões sobre o assunto no seio da família. Farta era a literatura socialista na sua casa a que tive acesso. A nossa cidade, estava na época submetida às exigências e ao domínio tutelares da Igreja Católica Apostólica Romana que “amparava as oligarquias mediante o controle do movimento sindical e popular, deles expurgando qualquer traço esquerdizante, fosse radical, socialista, comunista ou mesmo liberal maçônico”, como acentua o historiógrafo José Octávio. Afortunadamente para nós, em Sousa nasceu uma escola política fundada na ética, o “marizismo”, que a Paraíba conheceu. Sem demérito para outros que dela participaram, lembrarei três nomes representativos que a integraram João Agripino, Antonio Mariz e Otacílio Silveira: o primeiro, João, pelas qualidades pessoais de liderança e também pelo respeito à moralidade na gestão da coisa pública; o segundo, Antonio, à par de idênticas qualidades, destacou-se pelas convicções socialistas do seu pensamento e de suas ações, revelados nas posições adotadas no exercício dos mandatos de prefeito, deputado, senador e governador do Estado que o povo lhe conferiu. Quanto ao terceiro, Otacílio Silveira, somava àquelas qualidades evidenciadas, a dedicação ao estudo, a soma de conhecimentos que possuía pronto para incentivar, orientar e participar das tarefas comuns, e, a eficiência na sua execução. Eles honraram a vida pública paraibana, deixaram um legado de inestimável valor moral, razão pela qual não devemos esquecê-los, e lembrá-los sempre, para motivar as novas gerações, hoje atraídas pelo oportunismo e o imediatismo da vida moderna. - Continua
Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 09h22
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TV Escola
SALVAR A TVESCOLA, TAREFA URGENTE! Alerta Presidenta Dilma! Alerta, cidadãos brasileiros! O Mercado ataca, e como sempre avança contra as políticas sociais. Suborna, sabota setores da administração para mostrar a sua fragilidade. Prevaricação criminosa e imperdoável existe no MEC, compromete e desvirtua a programação da TV Escola, que divulga textos e documentos de conteúdo cultural importantes, na formação da consciência nacional. Tal pro-gramação, oriunda dos centros mais desenvolvidos do culturalismo no mundo, e aqui também elaborada, tratam da pedagogia, da noticia biográfica de sábios e estadistas, dos fatos históricos, da exegese e divulgação através de seminários e debates das grandes questões sociais, dos conceitos que orientam a vida das nações, acima de tudo tratando das ciências, do meio ambiente, da democracia, da liberdade, do humanismo. A prevaricação dos gestores e servidores do MEC torna-se evidente na péssima qualidade técnica do som e da imagem levados ao vídeo. Afugenta os telespectadores que dispõem de som e imagem perfeitas mostrados nos programas da Globo, Bandeirantes e mais tvs comerciais, canais rurais, evangélicos, etc. A imagem da TvEscola sofre interferências de duplicidade, traços, brilhos inusitados, e reverberações, o som é surdo, sopros, chiados e estouros dificultam o entendimento das matérias comentadas, explicadas. Por que o mesmo não acontece nas outras redes de tv? E cabem mais perguntas: Usa o MEC equipamentos sucateados? Os técnicos do MEC não possuem qualificação profissional? Qual a explicação para tamanha irresponsabilidade? Talvez suborno, sabotagem, traição à pátria. Porventura tudo acontece porque não divulga matéria paga para agradar e proteger clientes do Mercado privilegiado? Pode ser. Esperamos que a Dilma Durona, em quem muitos ainda confiam, alerte para este grave problema, tão grave quanto o da corrupção por ela combatida. Motivar, salvar pela cultura, pelo patriotismo. O estado nação tornou-se estado social, reconhece-se apres-sadamente, sem atentar para a origem do fenômeno. O mundo moderno, mercê dos avanços e conquistas da tecnologia, afirma a prevalência da liberdade e da igualdade de todos. É preciso rejeitar e combater essa matriz mercante, que é o fator que dá lugar à propriedade privada dos modos de produção. Os mecanismos de dominação (neoli-beralismo, globalização) encontrarão sempre, inevitavelmente os seus opostos: na-cionalismos e sectarismos. Assim marcha a história que não se repete, e se o faz, segundo Marx é apenas na aparência sob a forma de tragédias e comédias. Alerta lulistas, sarneistas, efeagacistas et caterva! A marcha é a mesma e mundo nunca será o mesmo. Salvar a TVescola do MEC, proteger a cultura nacional esta é uma tarefa urgente. ....................................................................
Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 16h28
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RICARDO COUTINHO, O VERME DO DIA. O FESTIVAL DE ARTE DE AREIA. RENASCIMENTO DO NAZISMO NA PARAÍBA. Eis um político que disputa e exerce o poder com métodos de bandoleiro e agressividade de assaltante, para quem as palavras não têm valor, a verdade não se distingue da mentira. Vade retro! A sua presença no governo confirma a minha afirmação. A sua ficha criminal semelha as de tarados famosos, apresentadas em programas de tv com rolos de papel estendidas nas salas de delegacias de polícia. O nosso governador boca torta nada fica a dever a mafiosos do tráfico, do con-trabando, da prevaricação, do estelionato e vai por aí, Indivíduo de feições notadamente lombrosianas, e de compor-tamento político-social que mostram e explicam a crueldade nazista dos seus atos, e cresce na Paraíba este sujeito que carrega no caráter todos os traumas que marcaram dramas familiares que encheram a sua vida, e também psicológicos, transformados em patologias que a juventude pobre acarretou. Pesa sobre ele, o que não é comum aos de-mais, esta marca indisfarçável. O problema é que a maldade marcou a sua personalidade. Agora leva para o canto da parede os intelectuais que recebem do seu governo o jabá para a feira. E eles servilmente baixam a cabeça. Leiam o texto explicativo a seguir. O FESTIVAL DE VERÃO DE AREIA. Em discurso na tribuna da Assembléia Legislativa no dia 14 de março de 1974 (Anais) ofereci uma denominação à cidade: Areia, Cidade Relíquia da Paraíba. Fazia-o em nome de sua história, de sua cultura, do seu passado. E propus a realização ali de um Festival de Verão, aproveitando o exemplo do que se fazia em Ouro Preto com o seu Festival de Inverno. Vivíamos os anos de chumbo do regime militar, e o evento funcionaria como “respiradouro” para a livre manifestação do pensamento, então censurado. A figura ímpar e o prestígio nacional do areiense José Américo de Almeida, filho do lugar, que fora vítima do chamado Estado Novo, emprestaria o seu apoio, certamente. Nas notas do Tabelionato do comendador José Henrique, ao meu lado, e do cel. José Rufino de Almeida, desembargador Aurélio de Al-buquerque, padre Rui Vieira, Manoel Gouveia e outros presentes, ins-tituímos a Fundação Cultural Areia (FUNCULARE), que cuidaria dos tesouros da cultura local. O então governador Ivan Bichara deter-minou à Secretaria de Educação e Cultura convocar pessoal, fixar normas para a realização dos encontros. Nomes nacionais destacados na imprensa, no teatro, no cinema, na literatura, nas ciências sociais defenderam as suas idéias, apresentaram as suas teses nos festivais realizados. Na Assembléia Ligislativa, nos jornais e estações de rádio, per-durou em repetidas referências, alusões ao assunto. Vale a pena con-ferir. Infelizmente o desinteresse de alguns gestores públicos, levaram ao encerramento dos eventos. Mudaram de cidade a sua realização, pararam por fim. O FESTIVAL DE 2011 E O CELULAR Como fala a linguagem literária, encontrava-me posto em sos-sego entregue às minhas modestas tarefas rurais, quando fui chamado ao telefone celular pelo famoso agitador cultural e meu amigo, o historiador José Octávio de Arruda Melo. Comunicou-me o renas-cimento do festival, e que eu tinha sido escolhido para fazer o discurso de abertura como seu criador. Entre milhares (milhares, sim senhor) de referências ao fato, todas valiosas para mim, guardo carta do inesquecível Horácio de Almeida e o título de cidadania proposto pelo prefeito Élson Cunha Lima, que me outorgou unanimemente a Câma-ra Municipal, pela minha contribuição para o reerguimento dos valores culturais do histórico município, e que recebi em sessão solene. Vivendo aqui no sertão, conduzo-me conforme a sabedoria local externada pelos seus mais conspícuos representantes: o coronel, o pa-dre, o juiz, o vaqueiro, o violeiro, o sem terra e poucos mais. Assim, refiro o que me adverte sempre o meu vaqueiro Neguinho (branco): o telefone celular é uma pinóia, um mau augúrio, mudou de vez o mundo. É verdade. Pois na gagueira costumeira, mortalmente ferido o amigo José Octávio através deste equipo eletrônico, confessou que a escolha do nome como orador da abertura do festival, depois de apro-vado, fora vetado. Nada de falar em origem e criação do Festival de Areia. Chegariam no meu nome o que Ricardo não aceitava, vetava em esgares, com a boca aberta, o ar vampiresco. Mas teremos o novo fes-tival. O Secretário Chico César, que para disfarçar inventou a moda de pitós em cabelo ruim, será o mestre de cerimônias, certamente. Mais uma condecoração para a glória do governador: a ele a Paraíba passa-rá a dever o Festival de Arte de Areia. RICARDO COUTINHO – A GRANDE FRAUDE Considero o governador Ricardo Coutinho uma grande fraude na militância político-partidária e na vida pública paraibana. Falta-lhe ética – atributo primordial da pessoa, que deve determinar e presidir a vida do cidadão. Ele constitui uma ameaça ao projeto democrático, que inspira o empenho da massa na busca de um modelo social justo. A honra, o bem e o mal não existem para Ricardo. A sua conduta ca-racterizada pela imposição e arbítrio de sua vontade deixam bem claro. Desafio Ricardo a mostrar “folha corrida criminal” dos chefes e chefetes que formaram as suas coligações partidárias. Aí retirarei as minhas afirmações. Ele não tem coragem para tanto. Os corruptos sempre sustentaram a sua candidatura. Hoje ele se apresenta como líder e comandante da infame bandidagem que ameaça a Paraíba. Paga com o dinheiro público, portanto rouba do povo, para falarem bem dele, dizerem que ele é diferente. Não é diferente coisa nenhuma. É igual a muitos e pior do que todos. A importância do problema consiste no que Ricardo foi, é e no que representa como ocupante de cargos públicos, como detentor de mandato eletivo. Fala-se e todos sabem de cidadãos humildes, de fun-cionários modestos afastados do seu gabinete, colocados injustamente sob suspeição. De lágrimas derramadas por pessoas humildes. Ele mudou de partido político para não debater teses – queria impor unilateralmente a sua opinião. Incensado por bajuladores abandonou as idéias socialistas de sua juventude. A História e a Psicologia como ciências humanas, de Nero a Hitler e Fujimori explicam persona-lidades assim, de intenções sinistras. OPORTUNISMO E DISSIMULAÇÃO Ricardo ligou-se com idéias preconcebidas e subalternas, aos movimentos de caráter humanístico que se infiltram no ambiente das lutas sociais contemporâneas, desvirtuando-lhes os objetivos. Consi-dera-os simples massa de manobra. Os artistas, ambientalistas e afi-cionados que o digam. Aí está Ricardo, “Asa de Corvo... asa de mau agouro... pele de Rinoceronte”de que falou o poeta Augusto dos Anjos. Conquistou mandato eletivo, mas sem programa partidário, indiferente aos princípios éticos que se impõem no relacionamento pessoal ou fun-cional com os que o cercam. Uma excrescência jurídico-democrática, como se vê. Continuo na minha luta em defesa da ética e da democracia traídas por Ricardo. Adolf Hitler também se dizia amante do seu povo e do seu país. Mas torturava, exterminava grupos humanos e sociais (judeus, ciganos, esquerdistas, homossexuais, deficientes físicos). Levou o mundo à guerra mais cruel da história. Confiram, ele é o retrato de Ricardo. Sugiro e indico a programação da “TV Escola” principal-mente, na exibição de documentários que tratam dos crimes praticados pelo nazismo. Ali está a crônica ricardiana. Adverti Ricardo que ele poderia, como de fato o faz, controlar a mídia do jabá – a que se vende – mas não calaria a boca do cidadão independente que utiliza a liberdade da internet para denunciar os escândalos das suas gangs, que operaram a “Coligação Cano de Esgoto” como escoadouro dos detritos morais da vida pública parai-bana. Ai estão os blogueiros para desmascará-lo como o fazem todos os dias. Vejam no meu blog Prosa Caótica – UOL eilzomatos.zip.net, e eilzopb.blogspot.com. Essa onda de processar judicialmente os jornalis-tas, é apenas uma simulação, ele bem o sabe, não o isentará de res-ponsabilidade nos crimes por ele cometidos. E tem aquela afirmação que se pode enganar alguns ou muitos por algum tempo, mas é im-possível enganar todos o tempo todo. É um fato reconhecido historicamente a presença de intelectuais, de operadores da midia que se colocam à serviço dos tiranos. Eles virão em ataques violentos ao meu nome, em defesa de Ricardo, pagos com dinheiro do orçamento público desviado de sua destinação social. Defender-me-ei. Falarei a língua do povo – a da verdade. Que venham. Fz. Lagoa de Baixo, sertão do Peixe/Piranhas, setembro de 2011. EILZO MATOS
O escritor e jornalista Humberto de Campos, da Academia Brasileira de Letras, registrou um momento doloroso e trágico vivido pelas nações quando nascia o nazismo na Europa. No seu livro póstumo “Sepultando Os Meus Mortos”, falou da “franqueza brutal de Goering” ao afirmar que “Os homens do Governo não precisam de cultura”; e registrou a declaração insolente de Hitler ao ser convocado para uma reunião do ga-binete alemão em crise: “− Só entraremos em negociações com a condição de assu-mirmos as responsabilidades integrais do poder”. “Hitler não era, porém, um homem só...”; e conclui com uma verdade tirada de suas leituras e reflexões, que eu destaco : “Os cadáveres em putrefação têm, cada vinte e quatro horas, o seu verme novo. A Civilização apodrece. Hitler é o verme do dia”. Algo parecido acontece na Paraíba de hoje.
Escrito por Eilzo Matos às 22h10
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O Festival de Artes de Areia
RICARDO COUTINHO, O VERME DO DIA. O FESTIVAL DE ARTE DE AREIA. RENASCIMENTO DO NAZISMO NA PARAÍBA. Eis um político que disputa e exerce o poder com métodos de bandoleiro e agressividade de assaltante, para quem as palavras não têm valor, a verdade não se distingue da mentira. Vade retro! A sua presença no governo confirma a minha afirmação. A sua ficha criminal semelha as de tarados famosos, apresentadas em programas de tv com rolos de papel estendidas nas salas de delegacias de polícia. O nosso governador boca torta nada fica a dever a mafiosos do tráfico, do con-trabando, da prevaricação, do estelionato e vai por aí, Indivíduo de feições notadamente lombrosianas, e de compor-tamento político-social que mostram e explicam a crueldade nazista dos seus atos, e cresce na Paraíba este sujeito que carrega no caráter todos os traumas que marcaram dramas familiares que encheram a sua vida, e também psicológicos, transformados em patologias que a juventude pobre acarretou. Pesa sobre ele, o que não é comum aos de-mais, esta marca indisfarçável. O problema é que a maldade marcou a sua personalidade. Agora leva para o canto da parede os intelectuais que recebem do seu governo o jabá para a feira. E eles servilmente baixam a cabeça. Leiam o texto explicativo a seguir. O FESTIVAL DE VERÃO DE AREIA. Em discurso na tribuna da Assembléia Legislativa no dia 14 de março de 1974 (Anais) ofereci uma denominação à cidade: Areia, Cidade Relíquia da Paraíba. Fazia-o em nome de sua história, de sua cultura, do seu passado. E propus a realização ali de um Festival de Verão, aproveitando o exemplo do que se fazia em Ouro Preto com o seu Festival de Inverno. Vivíamos os anos de chumbo do regime militar, e o evento funcionaria como “respiradouro” para a livre manifestação do pensamento, então censurado. A figura ímpar e o prestígio nacional do areiense José Américo de Almeida, filho do lugar, que fora vítima do chamado Estado Novo, emprestaria o seu apoio, certamente. Nas notas do Tabelionato do comendador José Henrique, ao meu lado, e do cel. José Rufino de Almeida, desembargador Aurélio de Al-buquerque, padre Rui Vieira, Manoel Gouveia e outros presentes, ins-tituímos a Fundação Cultural Areia (FUNCULARE), que cuidaria dos tesouros da cultura local. O então governador Ivan Bichara deter-minou à Secretaria de Educação e Cultura convocar pessoal, fixar normas para a realização dos encontros. Nomes nacionais destacados na imprensa, no teatro, no cinema, na literatura, nas ciências sociais defenderam as suas idéias, apresentaram as suas teses nos festivais realizados. Na Assembléia Ligislativa, nos jornais e estações de rádio, per-durou em repetidas referências, alusões ao assunto. Vale a pena con-ferir. Infelizmente o desinteresse de alguns gestores públicos, levaram ao encerramento dos eventos. Mudaram de cidade a sua realização, pararam por fim. O FESTIVAL DE 2011 E O CELULAR Como fala a linguagem literária, encontrava-me posto em sos-sego entregue às minhas modestas tarefas rurais, quando fui chamado ao telefone celular pelo famoso agitador cultural e meu amigo, o historiador José Octávio de Arruda Melo. Comunicou-me o renas-cimento do festival, e que eu tinha sido escolhido para fazer o discurso de abertura como seu criador. Entre milhares (milhares, sim senhor) de referências ao fato, todas valiosas para mim, guardo carta do inesquecível Horácio de Almeida e o título de cidadania proposto pelo prefeito Élson Cunha Lima, que me outorgou unanimemente a Câma-ra Municipal, pela minha contribuição para o reerguimento dos valores culturais do histórico município, e que recebi em sessão solene. Vivendo aqui no sertão, conduzo-me conforme a sabedoria local externada pelos seus mais conspícuos representantes: o coronel, o pa-dre, o juiz, o vaqueiro, o violeiro, o sem terra e poucos mais. Assim, refiro o que me adverte sempre o meu vaqueiro Neguinho (branco): o telefone celular é uma pinóia, um mau augúrio, mudou de vez o mundo. É verdade. Pois na gagueira costumeira, mortalmente ferido o amigo José Octávio através deste equipo eletrônico, confessou que a escolha do nome como orador da abertura do festival, depois de apro-vado, fora vetado. Nada de falar em origem e criação do Festival de Areia. Chegariam no meu nome o que Ricardo não aceitava, vetava em esgares, com a boca aberta, o ar vampiresco. Mas teremos o novo fes-tival. O Secretário Chico César, que para disfarçar inventou a moda de pitós em cabelo ruim, será o mestre de cerimônias, certamente. Mais uma condecoração para a glória do governador: a ele a Paraíba passa-rá a dever o Festival de Arte de Areia. RICARDO COUTINHO – A GRANDE FRAUDE Considero o governador Ricardo Coutinho uma grande fraude na militância político-partidária e na vida pública paraibana. Falta-lhe ética – atributo primordial da pessoa, que deve determinar e presidir a vida do cidadão. Ele constitui uma ameaça ao projeto democrático, que inspira o empenho da massa na busca de um modelo social justo. A honra, o bem e o mal não existem para Ricardo. A sua conduta ca-racterizada pela imposição e arbítrio de sua vontade deixam bem claro. Desafio Ricardo a mostrar “folha corrida criminal” dos chefes e chefetes que formaram as suas coligações partidárias. Aí retirarei as minhas afirmações. Ele não tem coragem para tanto. Os corruptos sempre sustentaram a sua candidatura. Hoje ele se apresenta como líder e comandante da infame bandidagem que ameaça a Paraíba. Paga com o dinheiro público, portanto rouba do povo, para falarem bem dele, dizerem que ele é diferente. Não é diferente coisa nenhuma. É igual a muitos e pior do que todos. A importância do problema consiste no que Ricardo foi, é e no que representa como ocupante de cargos públicos, como detentor de mandato eletivo. Fala-se e todos sabem de cidadãos humildes, de fun-cionários modestos afastados do seu gabinete, colocados injustamente sob suspeição. De lágrimas derramadas por pessoas humildes. Ele mudou de partido político para não debater teses – queria impor unilateralmente a sua opinião. Incensado por bajuladores abandonou as idéias socialistas de sua juventude. A História e a Psicologia como ciências humanas, de Nero a Hitler e Fujimori explicam persona-lidades assim, de intenções sinistras. OPORTUNISMO E DISSIMULAÇÃO Ricardo ligou-se com idéias preconcebidas e subalternas, aos movimentos de caráter humanístico que se infiltram no ambiente das lutas sociais contemporâneas, desvirtuando-lhes os objetivos. Consi-dera-os simples massa de manobra. Os artistas, ambientalistas e afi-cionados que o digam. Aí está Ricardo, “Asa de Corvo... asa de mau agouro... pele de Rinoceronte”de que falou o poeta Augusto dos Anjos. Conquistou mandato eletivo, mas sem programa partidário, indiferente aos princípios éticos que se impõem no relacionamento pessoal ou fun-cional com os que o cercam. Uma excrescência jurídico-democrática, como se vê. Continuo na minha luta em defesa da ética e da democracia traídas por Ricardo. Adolf Hitler também se dizia amante do seu povo e do seu país. Mas torturava, exterminava grupos humanos e sociais (judeus, ciganos, esquerdistas, homossexuais, deficientes físicos). Levou o mundo à guerra mais cruel da história. Confiram, ele é o retrato de Ricardo. Sugiro e indico a programação da “TV Escola” principal-mente, na exibição de documentários que tratam dos crimes praticados pelo nazismo. Ali está a crônica ricardiana. Adverti Ricardo que ele poderia, como de fato o faz, controlar a mídia do jabá – a que se vende – mas não calaria a boca do cidadão independente que utiliza a liberdade da internet para denunciar os escândalos das suas gangs, que operaram a “Coligação Cano de Esgoto” como escoadouro dos detritos morais da vida pública parai-bana. Ai estão os blogueiros para desmascará-lo como o fazem todos os dias. Vejam no meu blog Prosa Caótica – UOL eilzomatos.zip.net, e eilzopb.blogspot.com. Essa onda de processar judicialmente os jornalis-tas, é apenas uma simulação, ele bem o sabe, não o isentará de res-ponsabilidade nos crimes por ele cometidos. E tem aquela afirmação que se pode enganar alguns ou muitos por algum tempo, mas é im-possível enganar todos o tempo todo. É um fato reconhecido historicamente a presença de intelectuais, de operadores da midia que se colocam à serviço dos tiranos. Eles virão em ataques violentos ao meu nome, em defesa de Ricardo, pagos com dinheiro do orçamento público desviado de sua destinação social. Defender-me-ei. Falarei a língua do povo – a da verdade. Que venham. Fz. Lagoa de Baixo, sertão do Peixe/Piranhas, setembro de 2011. EILZO MATOS
O escritor e jornalista Humberto de Campos, da Academia Brasileira de Letras, registrou um momento doloroso e trágico vivido pelas nações quando nascia o nazismo na Europa. No seu livro póstumo “Sepultando Os Meus Mortos”, falou da “franqueza brutal de Goering” ao afirmar que “Os homens do Governo não precisam de cultura”; e registrou a declaração insolente de Hitler ao ser convocado para uma reunião do ga-binete alemão em crise: “− Só entraremos em negociações com a condição de assu-mirmos as responsabilidades integrais do poder”. “Hitler não era, porém, um homem só...”; e conclui com uma verdade tirada de suas leituras e reflexões, que eu destaco : “Os cadáveres em putrefação têm, cada vinte e quatro horas, o seu verme novo. A Civilização apodrece. Hitler é o verme do dia”. Algo parecido acontece na Paraíba de hoje.
Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 22h07
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O Festival de Artes de Areia
Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 22h03
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EDUARDO SUPLICY, CRISTOVAM BUARQUE E OUTROS DESLOCADOS Eilzo Matos No Brasil 92% das escolas dispõem de computadores nas salas, mas somente 4% são acessíveis aos alunos. Deu na TV. Eis um país verda-deiramente glorioso e destinado ao milagre do futuro! Negócio para quem vende, incerteza para quem se destina. A ascensão feminina, entre nós, entregou aos homens as tarefas domésticas. Quando alguns insistem na representação vaidosa da socie-dade, mostram-se desajustados, deslocados. É lamentável, mas é preciso reconhecer. No Senado, gaguejando Eduardo Suplicy justifica erros do governo, parecendo um avô gá-gá coonestando as bandidagens dos netos; Cristovam Buarque com os olhos roídos (na incontida vaidade de tudo saber e definir) reedita o samba do crioulo doido, e propõe introduzir na Constituição uma cláusula pétrea garantindo o direito do cidadão à fe-licidade. Verdade mesmo. Por seu turno, enrolado como o falecido e primoroso Pita prefeito de São Paulo, Lindberg Farias acena com a pos-sibilidade de equilíbrio na luta entre os contrários na sociedade. Cer-tamente absorvido na pintura da cara, não lhe sobrou tempo para a leitura de texto que supúnhamos do seu conhecimento: A Miséria da Filosofia, de Karl Marx. O remédio é esperar, para ver no que dá. O Estado, historicamente, não se tem revelado como entidade ética no seu fundamento filosófico apenas o anunciam como tal. Seria algo pretendido, platônico como na teoria da caverna, ou aprioristicamente kantiano? Indago-me: errada compreensão de conceitos de minha parte, ou equivocada avaliação da história? As teorias sobre o nascimento do poder ou o direito de governar, remontam ao conhecimento da origem dos fenômenos instintivos e na-turais colônias de bactérias, florestas, aglomerados minerais, socie-dades dos homens. Todavia, elas ainda decidem e determinam ali-mentadas, movidas pela necessidade material de compensação. Daí a inegável atualidade de Rousseaux, de Malebranche... Nada, entretanto, freudiano ou nietzcheano simplesmente experimentação ou manifesta-ção dialética da evolução no relacionamento entre indivíduos e entre estes e instituições, algumas adrede organizadas. Vivemos, lamenta-velmente, a Era das Reticências... Da dissimulação, diria melhor. Aí está o PT no poder, governando. A esperança resta na coragem de Dilma que vem de longe, não costuma tergiversar. Porventura a intuição indica e explica a realidade objetiva? O que vem a ser conduta socialmente relevante, válida também do ponto de vista do indivíduo? Uma prática recente, leviana, valorizada pela midia, criou o sentimento de coletivização “globalização” de identidades a inclusão social. Perdeu-se o indivíduo? E as sociedades organizadas rea-lizam o interesse de um, de alguns, ou de todos? Tratando de tempo historicamente recente, falaram os soviéticos no internacionalismo proletário que permitiria a construção da paz, da de-mocracia, algo fundado no marxismo-leninismo; e também destinado à realização de um projeto; seria este, o fruto da intuição ou do revanchis-mo, ou da imprudência? Eu pergunto. Vi na TV (sempre ela), um renomado ator negro afirmar que dis-cordava do sistema de "cotas" asseguradas aos afro-descendentes para ingresso na universidade. Ideal para ele seria a conquista de espaço disputando com todos, inclusive com os brancos (justo racismo, não?). Re-conhecia, entretanto, que era necessária a melhoria e mudança radical para aprimorar as instituições de ensino localizadas nas áreas pobres, na periferia geralmente onde moram os negros. Tal não se vê, nem é o que a ideologia dominante estimula e pratica, muito menos permite. Pedagogia inadequada e ineficiente na periferia, eis a questão. Não seria o caso de reciclar tais escolas, ou de assegurar somente, indiferentemente a presença dos seus titulados capengas, entre os das melhoras escolas?! A nova ordem mundial, recentíssima, para confundir incita e excita a circulação de novos conceitos que se des-mentem na sua realização e na própria origem. Que fazer? Buscar em Lênin, Gramci, FHC, Lula a sua explicação? Primeiro foi a dissimulação da “Lei Fleury” para diminuir o recolhi-mento de detentos no sistema prisional sobrecarregado. Agora a “Lei da Rendição” (expressão minha), quando a prisão diária de milhares de infratores das normas penais, esgotou de fato a capacidade do Estado de prender e recolher delinqüentes em prisão fechada. Faliu, capitulou o estado nacional. A operação Morro do Alemão confirma o meu comentário. Ora, reuniram exército, marinha, aeronáutica, polícia federal, bombeiros, polícia civil, polícia militar, força nacional para ocupar uma favela, entre milhares existentes no país, em idêntica situação de insegurança. E as demais, as ruas e praças centrais e suburbanas, as localidades rurais que vivem o mesmo problema?! ............................
Escrito por Eilzo Matos às 12h25
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