Prosa Caótica


 
 

Notas da Fazenda

HOSANAS AO AMIGO VELHO ERNANI SÁTIRO
Leitura atrasada d "O Canto do Retardatário" do contra-parente (explicarei a seguir) escritor e político Ernani Satyro. Eis uma pessoa genuína, vencedora. De sólida formação intelectual, corajoso na defesa de suas idéias e convicções. Legendário inegavelmente, na mais ampla acep-ção do termo. E peremptório isto sim, casmurral. Reacionário diplomado. Não fazia concessões. Vasta é a sua produção em títulos que constam de “Plano Inicial das Obras Completas de Ernani Sátriro”, elaborado pela FUNES (fundação que traz o seu nome). Romances e ensaios, versos, crônicas de sabor jornalístico, discursos, conferências. Presença escolhida nos "poetas bissextos" de Manoel Bandeira, transcrito, biografado e elogiado. Ali está o João Guimarães Rosa, do “Magma”. Uma honra para as letras tabajaras. Seus versos muito pessoais, também parafraseiam, falam nas letras e autores clássicos (Camões, Augusto, Pessoa), no amor, na tentativa utópica de reconstrução do mundo, na administração pública, na tradição da chefia familiar coronelista na política, na saudade. "Procurei acabar a fundura do mar [...] cadeiras na calçada". Mas reconhece: "Todos nós, afinal, somos ciganos [...] Na entrada do porto tem uma pedra [...] Do meu amor em Olinda [...] Recife, poema e chaga do Brasil". 
Ah! O Recife que reconstruiu a minha vida, que renasceu no exílio campestre – somente pensando, refletindo, vivenciando a vida mesmo, que é o que vale. Algo do amigo velho na minha estrada do devir. Na esquerda ou na direita, no amor e na guerra. Ele numa modéstia que não lhe cabia, afirmou que, a sua estrela se não era brilhante era constante. Tudo em capítulos precisos: “Canto da Inquietação das Cismas”, “Canto do Amor e da Mulher”, Canto da Solidão e da Morte”, “Canto dos Poemas de Circunstância”. Orador solene, sentencioso.
Ernani era filho de Miguel Sátiro e de Capitulina, que enviuvara de Inocêncio Leite, e era mãe de Firmino, sobrinho de minha avó Chiquinha, primo do meu pai, meu primo-segundo e padrinho de batismo. Ernani era, portanto, nosso "contraprimo". Nos desentendemos na política. Caprichos do meu lado e do dele também. Mas não traía, só perseguia. Resisiti. Governador do Estado ele me combateu e derrotou numa eleição para deputado estadual. Fui reeleito no pleito seguinte.

A arte não é a/o que satisfaz o ego. Pelo contrário, é a/o que desperta (ofende) a consciência crítica, circula, viaja no espaço e no tempo. Des-cobre, identifica e cria mundos. O momento atual é ativamente dinâmico ─ induz profissionalismo artesanal, busca e descoberta de materiais, ins-talações. Ernani escreveu num poema: “Vamos todos viver a nova vida / [...] Mas vamos logo ó telespectadores. /Apreciar as guerras e os crimes, /As mulheres nuas /E mais ainda, a destruição / Da Língua e da Família, / Nas novelas de televisão”. Não transigia no tocante a princípios éticos.

O despeito e a frustração revelam o traço do caráter, da perso-nalidade. Maculam a arte. Li alhures que pregaram um pincel embebido em tintas no rabo oscilante de um elefante, que alcançava uma tela. Era um fim de tarde em frente ao mar. Meros circuitos neuroniais estimulados pelo instinto e necessidade de alimento para o estômago. Intitularam o quadro "Pôr de Sol no Adriático". Não é o caso de Ernani Sátiro, evidentemente, com o seu preparo intelectual, a sua inteligência crítica: ele ia direto ao assunto. Outros que ponham a carapuça.

Aqui neste “Maio na Fazenda”, relembro sem despeito, mas com saudade o “amigo velho”. Estava no seu romance “O Quadro Negro” um inverno criador, como dizem os sertanejos, quando chove o suficiente para desenvolver as pastagens e as lavouras. E os relâmpagos do fim do período chuvoso são discretos, como fósforos acesos no horizonte. Andando pelas roças senti aquela alegria interior do campesino nessas circunstâncias. Estamos bem no corrente ano. A mata cresceu, avolumou-se, a rama fechou nas capoeiras, a gitirana, alimento de primeira pra vacaria, com flores brancas e roxas cobre as moitas, as cercas, sobe nas árvores, o milho bone-cou, o feijão canivetou, e já comemos verde.

“Grande é a vida”. Bem sentenciou o Amigo Velho, e para ele uma abraço de reconhecimento no seu valor, na sua franqueza, na sua coragem. Preparo-me para a viagem, o abraço do outro mundo.   ........  Lagoa de Baixo, 2008.

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 13h06
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

Notas da Fazenda

HOSANAS AO AMIGO VELHO ERNANI SÁTIRO
Leitura atrasada d "O Canto do Retardatário" do contra-parente (explicarei a seguir) escritor e político Ernani Satyro. Eis uma pessoa genuína, vencedora. De sólida formação intelectual, corajoso na defesa de suas idéias e convicções. Legendário inegavelmente, na mais ampla acep-ção do termo. E peremptório isto sim, casmurral. Reacionário diplomado. Não fazia concessões. Vasta é a sua produção em títulos que constam de “Plano Inicial das Obras Completas de Ernani Sátriro”, elaborado pela FUNES (fundação que traz o seu nome). Romances e ensaios, versos, crônicas de sabor jornalístico, discursos, conferências. Presença escolhida nos "poetas bissextos" de Manoel Bandeira, transcrito, biografado e elogiado. Ali está o João Guimarães Rosa, do “Magma”. Uma honra para as letras tabajaras. Seus versos muito pessoais, também parafraseiam, falam nas letras e autores clássicos (Camões, Augusto, Pessoa), no amor, na tentativa utópica de reconstrução do mundo, na administração pública, na tradição da chefia familiar coronelista na política, na saudade. "Procurei acabar a fundura do mar [...] cadeiras na calçada". Mas reconhece: "Todos nós, afinal, somos ciganos [...] Na entrada do porto tem uma pedra [...] Do meu amor em Olinda [...] Recife, poema e chaga do Brasil". 
Ah! O Recife que reconstruiu a minha vida, que renasceu no exílio campestre – somente pensando, refletindo, vivenciando a vida mesmo, que é o que vale. Algo do amigo velho na minha estrada do devir. Na esquerda ou na direita, no amor e na guerra. Ele numa modéstia que não lhe cabia, afirmou que, a sua estrela se não era brilhante era constante. Tudo em capítulos precisos: “Canto da Inquietação das Cismas”, “Canto do Amor e da Mulher”, Canto da Solidão e da Morte”, “Canto dos Poemas de Circunstância”. Orador solene, sentencioso.
Ernani era filho de Miguel Sátiro e de Capitulina, que enviuvara de Inocêncio Leite, e era mãe de Firmino, sobrinho de minha avó Chiquinha, primo do meu pai, meu primo-segundo e padrinho de batismo. Ernani era, portanto, nosso "contraprimo". Nos desentendemos na política. Caprichos do meu lado e do dele também. Mas não traía, só perseguia. Resisiti. Governador do Estado ele me combateu e derrotou numa eleição para deputado estadual. Fui reeleito no pleito seguinte.

A arte não é a/o que satisfaz o ego. Pelo contrário, é a/o que desperta (ofende) a consciência crítica, circula, viaja no espaço e no tempo. Des-cobre, identifica e cria mundos. O momento atual é ativamente dinâmico ─ induz profissionalismo artesanal, busca e descoberta de materiais, ins-talações. Ernani escreveu num poema: “Vamos todos viver a nova vida / [...] Mas vamos logo ó telespectadores. /Apreciar as guerras e os crimes, /As mulheres nuas /E mais ainda, a destruição / Da Língua e da Família, / Nas novelas de televisão”. Não transigia no tocante a princípios éticos.

O despeito e a frustração revelam o traço do caráter, da perso-nalidade. Maculam a arte. Li alhures que pregaram um pincel embebido em tintas no rabo oscilante de um elefante, que alcançava uma tela. Era um fim de tarde em frente ao mar. Meros circuitos neuroniais estimulados pelo instinto e necessidade de alimento para o estômago. Intitularam o quadro "Pôr de Sol no Adriático". Não é o caso de Ernani Sátiro, evidentemente, com o seu preparo intelectual, a sua inteligência crítica: ele ia direto ao assunto. Outros que ponham a carapuça.

Aqui neste “Maio na Fazenda”, relembro sem despeito, mas com saudade o “amigo velho”. Estava no seu romance “O Quadro Negro” um inverno criador, como dizem os sertanejos, quando chove o suficiente para desenvolver as pastagens e as lavouras. E os relâmpagos do fim do período chuvoso são discretos, como fósforos acesos no horizonte. Andando pelas roças senti aquela alegria interior do campesino nessas circunstâncias. Estamos bem no corrente ano. A mata cresceu, avolumou-se, a rama fechou nas capoeiras, a gitirana, alimento de primeira pra vacaria, com flores brancas e roxas cobre as moitas, as cercas, sobe nas árvores, o milho bone-cou, o feijão canivetou, e já comemos verde.

“Grande é a vida”. Bem sentenciou o Amigo Velho, e para ele uma abraço de reconhecimento no seu valor, na sua franqueza, na sua coragem. Preparo-me para a viagem, o abraço do outro mundo.   ........  Lagoa de Baixo, 2008.

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 12h36
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

Notas da Fazenda

Comentando Chico Pinto (blog do Tião 24-4-2012)

Oportuno o seu comentário, de modo especial pelas denúncias sobre o oportunismo do governo e dos que o criticam, neste momento que antecede eleições gerais no país. O que acontece é que o governo se tornou refém dos projetos sociais de redistribuição de renda, e inclusão a qualquer pre-texto para grupos selecionados da coletividade. Tudo em função do voto. Esta verdade foi tratada na literatura, no teatro do absurdo. Camus denun-ciou que a população estava reduzida a duas categorias de cidadãos: os que portavam distintivos do governo e os que não o usavam. No caso as "bol-sas", a "inclusão" e outros benefícios estendidos aos escolhidos, como seguro safra sem plantar um grão, etc. Assim podiam saber quem era a favor e contra o poder, desde que constasse ou não o seu nome como beneficiário dos mencionados projetos. A seca, no passado, representava a morte pela fome e hoje não assusta,  porque todos contam com rendi-mentos para o sustento da família. Pouco? É verdade. Mas o suficiente para recusarem a oferta de trabalho assalariado. O tempo é de ajuda, trabalho não, argumenta o professor Caetano secretário municipal em Sousa. Emprego somente com salário e direitos assegurados. Saúde e educação são garantidos na rede oficial de serviços. E a cidadania fala alto. "Não tem médico e remédio? Falta professor? Vou ao Ministério Público denunciar estes administradores corruptos." Hoje o povo grita sem medo, se orgulha como titular de direitos, não de obrigações. Algo assim como os adeptos dos evangélicos, antes analfabetos, que se orgulham da leitura da Bíblia sem entender o que lêem, porém na vaidade de manter um livro aberto e demonstrar que o pode ler. Mesmo sem alcançar a significação de palavras como "faraós", "profetas", etc, elas lhes falam de algo transcendental, histórico, dá prestígio falar neles, porque os seus familiares e conhecidos jamais o fizeram.

 

Comentando Tião (blog do Tião 26-4-2012)

Esse é o clima que rola aqui no sertão onde moro. Ninguém fala em chuva, em seca, em inverno. Dá pra aceditar que seca nunca existiu. Existia fome isto sim. Ontem cerca de oito horas da manhã, vi o operador de uma retro-escavadeira com vidros escuros, ar condicionado, cavando no leito de uma estrada em construção. O transito ficou parado por uns instantes e formou-se uma aglomeração de 32 homens que eu contei com cuidado, sem falar em algumas crianças e mulheres. Fácil de explicar o ajuntamento: todos estavam de barriga cheia beneficiários de cestas básicas, seguro safra, cuscuz, leite e pão que recebem todos os dias, e ainda a bolsa família a aposentadoria. Cidadania, porque emprego não existe, e hoje, os novos sujeitos sociais não discutem tarefas, mas salário e horas semanais, folgas, férias, vale refeição, fgts, etc. E somos a sexta economia do mundo e por consequência a sexta contribuição de juros para a banca financeira inter-nacional que arrecada e leva à inanição sociedades ditas evoluídas como a européia. Guardo receios quanto a nossa situação de país, de povo de nação. O medo que tenho fundamenta-se na advertência do Gonzagão no seu forró sensacional: "Doutor uma esmola dada ao homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.” Aí estará tudo perdido. E nada de chuva. Mas falam em dinheiro grosso para os “atingidos”, a começar com a novidade da “bolsa estiagem”. Essa gente sabe como tanger o problema com a barriga. Fracasso para o governo que virá, não para agora, esta é a grande tese motivadora das ações. Brecht na “ópera dos três vinténs” advertiu que qualquer discussão em nível popular, coletivo tem que começar com alimentação. A fome é má conselheira. O vício também, no caso vício de acreditar que “vem ajuda por aí”. Trabalho em obras públicas, quer de conservação, construção ou reconstrução, é coisa do passado. Vivemos a democracia das eleições. Por esta razão novas inclusões são anunciadas todos os dias. Dá pra pensar que chegará o dia da exclusão de alguns, porque todos forma incluídos. A qualquer pretexto.

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 16h17
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

Nota

NOTAS DA FAZENDA

 

Sou sertanejo de nascimento. Vim ao mundo no sítio Gato Preto, hoje bairro chique em Sousa, no dia 23 de junho de 1934 (quase um século, mas estou bem, por enquanto) e o parto de minha mãe foi assistido pelo grande e inesquecível médico sousense Dr. Zezé Sarmento, pai de Gilberto que foi prefeito e deputado. Como dizia, sou sertanejo, e me criei embalado pela música popular executada no nosso meio em sanfona, saxofone, violão, zabumba e pandeiro: o choro, a valsa, o baião, o xote e outras, de melodia e ritmo românticos e festeiros. Não me envergonho por isso. Falo a propósito de reportagem que vi na tv sobre estes instrumentos musicais e sobre profissionais peritos na sua execução: me deliciei com Gonzagão, Dominguinhos, Si-vuca.  De Sousa que a memória me estimula, falo do passado com Zé Fontes e Chico Malota, Zé Costa e Dedé de Félix. Nomes inesquecíveis. Escutei outros musicistas, mas deixei-os de lado: sopranos chilreando árias de música erudita, barítonos e baixos trovejando melodramas, “spalas” silvando estertores de Paga-nini. Todos valeram pela performance e consagração que os fazem lembrados. Mas fico mesmo com Asa Branca, Feira do Mangaio, Aconchego. E os meus saxofonistas e sanfoneiros. Exceção faço para as modinhas de Carlos Gomes.

 

*          * 

Vi algo absolutamente ridículo e cretino na pessoa de um individuo que participava de uma entrevista coletiva na programação da TV Câmara. Apelidava-se "Rapadura Xique Chico", as roupas e enfeites que usava tornavam impossível identificá-lo como representante ou integrante de uma so-ciedade ou situação nacional qualquer. Restou de sua apre-sentação somente a idiotia de sua pretensão, a estreiteza de sua imaginação, a começar com o nome, o traje e as palavras jogadas na cena no intuito de improvisação poética, criativa que honram a cultura nordestina e delas sequer ele se apro-ximou. Um enérgumeno, um estelionatário na atividade cultural da sociedade.

 
Sou sertanejo nordestino, sousense, como sabem os meus conterrâneos. Do Maranhão a Alagoas, Baía, pervaguei cidades e áreas rurais. Conheço grupos sociais que guardam ca-racterísticas culturais que os identificam, como autóctones, e o traje é verdadeiramente próprio e distinto de outras sociedades e regiões geográficas. Sei o que é nordestino na sua expressão mais viva nos costumes, e denuncio como ato de má fé e pouca inteligência, a postura dos que tentam reduzir a modelos ex-travagantes, a simples palhaçadas, a arte de viver e de repre-sentar o que nos distingue como fonte da cultura nacional, caracteristica, autêntica, originária. Entendo que o destino da produção cultural de qualquer povo há de ser o de constituir-se em expressão para o debate e discussão dos problemas nacionais. Assim achava Álvaro Lins. Buscam eles e reclamam o modelo da "Inclusão"? Uma clinica psiquiátrica poderá torná-los aptos para a convivência social.

Torno claro, numa tomada de posição, que entendo “a formação e o desenvolvimento da literatura (assim os padrões e paradigmas culturais) como parte do processo histórico total da sociedade. A essência e o valor estético das obras literárias, e também sua ação, é parte daquele processo geral e unitário pelo qual o homem se apropria do mundo mediante sua consciência.” (Lukács. Critica). Daí não confundir evolução e desenvolvimento no campo da cultura, da arte, com o espalhafato chocarreiro.............

 

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 10h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

Diário da Fazenda

 

A VOLTA – O CANGAÇO – OUTRA VIDA

(diário da fazenda)

Nos últimos trinta anos que voltei a viver por aqui, retornando da capital onde desempenhava atividades políticas e administrativas, jamais me afastei deste lugar por mais de que quinze dias. Antes, essa ausência, nos tempos de colégio e Faculdade chegavam a três meses por semestre. Preso hoje aos afazeres assumidos com a nova dedicação a atividades rurais, o isolamento na fazenda permite tempo e ambiente ideais para leituras e reflexões de cunho político e estético-literário ─ renascimento do costume e do dever do estudo vivido na juventude. Preguiça, enfim. Outra vida.

Eis que, empurrado por circunstâncias presumíveis, mas não pro-gramadas, fui levado a ocupar Cadeira, na Academia Paraibana de Letras. Muita festa, reuniões e reencontro com familiares e amigos, passado tanto tempo da antiga convivência! Uma honra inegável para mim a esta altura da vida, que nada almejava além de terminar de criar filhos e netos, visitar amigos esporadicamente, olhar para o céu – este salutar hábito sertanejo.

Então tudo desandou. Ligeiros incômodos de saúde e aconselhamento levaram-me concomitantemente a médicos que me submeteram a cirurgias indicadas. Renovo os meus agradecimentos aos médicos Astênio Fernandes e Georges Guedes Pereira que me assistiram. E tudo terminou em festas, comemorações, que a medicina, hoje, nos desobriga de estirados jejuns. Aí se foram mais de trinta dias.

Aproveitando o tempo e atento às questões relativas à saúde, em oportunidade inesperada, revi o Recife de que me afastara há quarenta e cinco anos, desde a minha colação de grau na Faculdade de Direito em 1964. Para explicar e contar sobre esse reencontro, recorro ao pensamento de dois paraibanos, em frases famosas que criaram sobre esta circunstância: José Américo de Almeida e João Lelis de Luna Freire. Pra que o latim e o francês, se a nossa língua dita “inculta e bela” e os nossos pensadores provincianos nos satisfazem?

Dói falar no Recife que encontrei. O fenômeno da urbanização até onde o conheço, transformou as pessoas de posses, na sua maioria, em seres praieiros, estejam onde estiverem. Constato tal vocação em João Pessoa e no Recife – cidades de minha intimidade nas suas ruas e praças, nos seus ambientes de reunião e congraçamento da população, hoje transmudados.

A Avenida Guararapes e a Praça Pedro Américo, outras áreas públicas preferidas pela população, restam quase esquecidas, os espaços ocupados por vendedores ambulantes de quinquilharias. Perigosamente desertas à noite. Pouco ou nada sabem do poeta Carlos Pena Filho que deixou gravado em letras de bronze versos antológicos no famoso Bar Savoy, e de Paulinho Soares memorialista de uma época de dourada e boêmia vida social e estudantil paraibana, que ali se acantonava na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, como cantam os vigários católicos na celebração de casamentos.

Rememoro do intelectual João Lelis: “Os lugares que foram teatro do nosso passado também envelhecem... Nunca voltes a visitar os lugares onde fostes feliz no passado. É sempre decepcionante essa espécie de recor-dação, sobretudo se ela prende-se ao coração”. E de José Américo com a enfatuação de quem declara uma grande verdade: “Voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta”.

Qual a minha opção sentencial? Por onde navega a minha memória, o que busca a minha inquietação na alegria verdadeira da volta, do reencontro?

 Não tinha realizado uma viagem, o objetivo era apenas um curto afastamento para um breve regresso, como ficara entendido. Mas o tempo estirou-se inesperadamente. O olhar curioso e afetuoso do pessoal de trabalho me animava na retomada da luta conhecida, no meu regresso. Avaliavam, analisavam-me, no hábito milenar dos que vivem e se rela-cionam de perto com a natureza.

Relatórios informais sobre a situação do rebanho, reparo e con-servação de instalações e prejuízos indesejáveis, mas inevitáveis, no limite do plausível. Cercas reparadas, morte de borregos, mais um ataque letal de uma cascavel erada, que mora num dos aglomerados de rochas graníticas na chamada “Manga das Lages”. Na ida para o sítio, para as terras baixas ocupadas pelo verde capim de pisoteio e de corte, que enchem a minha vista e a barriga do gado, vejo rastos conhecidos de reses e de animais: o risco do rabo do tejo, as pegadas dos esquivos gatos do mato e dos guarás quase em extinção. Na cabeça de um mourão num terreno plano, avisto um caboré que em gerações sucessivas, vira e revira a cabeça, vigiando com os grandes olhos redondos, o mesmo buraco onde guardam os seus ovos, cria os filhotes.

A Academia, a Capital, as Solenidades ficaram para trás. A vida agora é outra. Aliás, volto à vida de antes. Amanhã tenho viagem marcada para renovada visita e café com Neo Mamede, no Pau Ferrado, ele tio de Jarda, viúva do meu conterrâneo sousense de Nazarezinho, cangaceiro Chico Pereira. Seguirei em companhia do seu sobrinho, meu amigo Valdemar, primo legítimo de Jarda. Por sinal, daqui de onde moro, avisto, cerca de uma hora a cavalo, a furna de Rio Preto, outro cangaceiro, que assombrou Pombal e a redondeza, e em menos de hora e meia chego à antiga morada de Jarda e Chico Pereira, pais do imortal filósofo e romancista Chico Pereira da nossa APL, desaparecido há poucos anos. Sertão valente e brioso.

Uma alegria, pisar no chão da aventurosa e romântica vida sertaneja das primeiras décadas do século XX. Quero rever e agora fotografar pa-redes antigas, riscadas de balas, figuras avoengas emolduradas, penduradas nas salas e quartos ao lado de santos de devoção, portas marcadas a fogo com o ferro do dono da fazenda, pegar em armamento de outros tempos, conversar de outros costumes, que ignoraram a dissimulação, mas usavam lealmente estratégias de luta no ataque e na defesa.

.......Sertão esperando o novo inverno. Novembro de 2009.... 2012 inverno fraco...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornal O NORTE  07 de junho de 2008

Gonzaga Rodrigues


Um Eilzo de dar inveja

Quando Eilzo Matos se arrancou da mazorca política e foi retomar os livros no interior, despertou-me a inveja que uns poucos amigos não conseguiram em demanda de pos-graduação no exterior. Eilzo sempre foi um homem de letras, circunstancialmente desviado para uma militância política que nada tinha a ver com a que a leitura do mundo lhe fizera a cabeça. Provou isso o tempo, pois, mais gasto que tivesse sido em ascensões eventuais, em arenas de alienados e de fisiológicos, nunca perdeu a direção comprometida com seus verdadeiros ideais políticos.

Tanto é assim que, de vez em quando sai de armadura e lança em punho, nem tanto por acreditar em Norberto Bobbio, mas por nunca ter deixado de ladear o Dom Quixote.

Onde Eilzo me pareceu sentir-se melhor: nas secretarias de Estado que aquinhoou com propósitos que chego até a chamar de cívicos ou no expediente das idéias e das letras em parcerias felizes (pela emoção e pelos resultados) com Virginius da Gama e Melo e companhia?

Sua presença, ou melhor, sua expressão, sempre foi cultural. É flagrada sem favor na História Crítica da Literatura Paraibana, de Gemy Cândido e, mesmo de forma somítica, na coletânea de Autores Paraibanos que a Secretaria de Educação fez organizar e editar em 2005.

É o que me ocorre vendo, de passagem, um descarte de Eilzo ao retorno urbano: "Tentei retomar antigos contatos em João Pessoa. Comprei apartamento, botei os filhos (mais novos) para estudar, o que asseguraria a minha presença perto deles. Mas não deu. Chegou a idade. Um atropelo. Acontece com quem vai na conversa dos outros: / Você está velho e longe da assistência. Pode acontecer um troço".

E voltou a Souza. Lá "não existe a solidão escondida na multidão. Sempre aparece um conhecido e as ruas nos são familiares, notamos modificações na urbanização, nas linhas da arquitetura dos prédios, nas pessoas. "Conhecemos até os donos dos bichos que freqüentam as ruas: O gato de D. Amália. O cachorro do caçador Zezito de João Domingos. Dizem que ele é perigoso, pega guiné e galinha nos terreiros. / Estamos em casa, como se diz".

É este o Eilzo da minha eleição. O que sabe, como ninguém, perceber o sentido político da vida, aconteça numa conversa de curral ou numa rebelião de faculdade.

Além do mais é corajoso. Não liga, como eu ligo, estar perto ou longe da ausculta médica mais famosa.

E diz bonito: "Para mim, a esta altura da vida é melhor ficar por aqui. Hospital não salva ninguém".

.......................................................................................

 

 

Jornal O NORTE  07 de junho de 2008

Gonzaga Rodrigues


Um Eilzo de dar inveja

Quando Eilzo Matos se arrancou da mazorca política e foi retomar os livros no interior, despertou-me a inveja que uns poucos amigos não conseguiram em demanda de pos-graduação no exterior. Eilzo sempre foi um homem de letras, circunstancialmente desviado para uma militância política que nada tinha a ver com a que a leitura do mundo lhe fizera a cabeça. Provou isso o tempo, pois, mais gasto que tivesse sido em ascensões eventuais, em arenas de alienados e de fisiológicos, nunca perdeu a direção comprometida com seus verdadeiros ideais políticos.

Tanto é assim que, de vez em quando sai de armadura e lança em punho, nem tanto por acreditar em Norberto Bobbio, mas por nunca ter deixado de ladear o Dom Quixote.

Onde Eilzo me pareceu sentir-se melhor: nas secretarias de Estado que aquinhoou com propósitos que chego até a chamar de cívicos ou no expediente das idéias e das letras em parcerias felizes (pela emoção e pelos resultados) com Virginius da Gama e Melo e companhia?

Sua presença, ou melhor, sua expressão, sempre foi cultural. É flagrada sem favor na História Crítica da Literatura Paraibana, de Gemy Cândido e, mesmo de forma somítica, na coletânea de Autores Paraibanos que a Secretaria de Educação fez organizar e editar em 2005.

É o que me ocorre vendo, de passagem, um descarte de Eilzo ao retorno urbano: "Tentei retomar antigos contatos em João Pessoa. Comprei apartamento, botei os filhos (mais novos) para estudar, o que asseguraria a minha presença perto deles. Mas não deu. Chegou a idade. Um atropelo. Acontece com quem vai na conversa dos outros: / Você está velho e longe da assistência. Pode acontecer um troço".

E voltou a Souza. Lá "não existe a solidão escondida na multidão. Sempre aparece um conhecido e as ruas nos são familiares, notamos modificações na urbanização, nas linhas da arquitetura dos prédios, nas pessoas. "Conhecemos até os donos dos bichos que freqüentam as ruas: O gato de D. Amália. O cachorro do caçador Zezito de João Domingos. Dizem que ele é perigoso, pega guiné e galinha nos terreiros. / Estamos em casa, como se diz".

É este o Eilzo da minha eleição. O que sabe, como ninguém, perceber o sentido político da vida, aconteça numa conversa de curral ou numa rebelião de faculdade.

Além do mais é corajoso. Não liga, como eu ligo, estar perto ou longe da ausculta médica mais famosa.

E diz bonito: "Para mim, a esta altura da vida é melhor ficar por aqui. Hospital não salva ninguém".

.......................................................................................

 

 

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 17h50
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

Privataria Tucana

 

 

Saiu no Blog da Cidadania, do Edu Guimarães:

Governistas e oposicionistas se unem para abafar escândalos


Em dezembro do ano passado, imensa mobilização nas redes sociais converteu o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, no maior best-seller político do século XXI no Brasil, com mais de cem mil exemplares vendidos – até a última divulgação da tiragem, feita há mais ou menos um mês. Esse êxito editorial foi logrado sem a menor participação da grande imprensa.


O livro apresentou provas irrefutáveis de que o ex-governador José Serra, parentes e amigos receberam verdadeiras fortunas do exterior, dinheiro que jamais teve comprovação de origem. Diante disso, o deputado comunista Protógenes Queiroz (SP) formulou um requerimento de CPI que obteve mais assinaturas do que o mínimo exigido. Esperava-se que fosse instalada logo após o fim do recesso parlamentar de fim de ano.


À época, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), dera declarações ambíguas sobre a instalação da CPI e, na volta dos trabalhos do Congresso, continuou na mesma toada. O tempo foi passando, já vai para um mês que o Congresso retomou seus trabalhos e a CPI da Privataria vai tendo o mesmo destino da CPI do Banestado, em 2003: o abafamento.


Ninguém nega que aquela CPI foi abafada por governistas e oposicionistas. O máximo que os governistas dizem é que estávamos no primeiro ano do governo Lula, quando o país vivia uma crise econômica muito séria após o desastre FHC e o governo ainda estava sendo ”testado” pela comunidade financeira internacional, de maneira que não seria interesse do país estabelecer uma “guerra política”.


Agora, como não há desculpa para não instalar a CPI da Privataria, no Congresso não se fala mais do assunto. Só o autor do requerimento de investigação e alguns raros deputados ainda tentam manter o assunto vivo.


Durante a semana que finda, mais um acordão de impunidade uniu petistas, tucanos, demos e companhia limitada. Veio à tona que o senador pelo DEM goiano, Demóstenes Torres, durante seis meses do ano passado conversou por telefone duas vezes por dia, todo dia, com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, além de ter sido presenteado pelo contraventor com uma cozinha importada no valor de 30 mil dólares.


O nome de Carlinhos Cachoeira ganhou repercussão nacional em 2004, após a divulgação de um vídeo que o flagrou oferecendo propina a Waldomiro Diniz, o que gerou a CPI dos Correios, que seria o começo do ataque da imprensa ao governo Lula, que duraria até o fim do seu segundo mandato.


Em 29 de fevereiro deste ano, Cachoeira foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, que desarticulou organização que explorava máquinas de caça-níqueis no Estado de Goiás. A notícia de que Demóstenes conversava duas vezes por dia, todo dia, com o senador do DEM goiano foi minimizada ou ocultada pela mídia oposicionista (Veja, Folha, Estadão e Globo).


Não satisfeito com o acobertamento da mídia, Demóstenes, “indignado” por acharem estranho que um senador, durante longo período, conversasse por telefone duas vezes ao dia, todo dia, com um criminoso e recebesse dele presentes caros, foi à tribuna do Senado manifestar a sua “indignação”. A reação esperável de seus pares seria que o interrogassem duramente, mas nem mesmo os seus adversários fizeram isso.


O pronunciamento de Demóstenes recebeu 44 apartes de representantes de todas as bancadas, do DEM ao PT. Os senadores Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Romero Jucá, Lobão Filho, Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, Alfredo Nascimento, Eduardo Suplicy e Marta Suplicy, entre muitos outros, derramaram-se em elogios ao colega e o disseram “injustiçado”.


A conclusão que se impõe é a de que governistas e oposicionistas podem ter feito um acordo de leniência mútua, explicável, em parte, pelo ano eleitoral. A CPI da Privataria, por exemplo, parece que ficará como uma carta na manga dos governistas caso a oposição decida explorar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá ocorrer ainda neste semestre.


O mais interessante, para usar um eufemismo, é que simpatizantes do governo e da oposição se engalfinham na internet todo dia e, enquanto isso, os políticos das duas vertentes se lambem, protegem-se, elogiam-se, acobertam-se mutuamente. Para os que temos simpatias políticas e nada mais, talvez seja hora de começarmos a entender que estamos fazendo papéis de idiotas.



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 12h25
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




Saga Nordestina

SAGA NORDESTINA É TEMA DE ENREDO, GARANTE VITÓRIA DAS ESCOLAS DE SAMBA UNIDOS DA TIJUCA E SALGUEIRO, NO CARNAVAL 2012 DO RIO. VIVA A PARAÍBA, ORLANDO TEJO E ESMERALDO BRAGA

 

Razão tinham de sobra os meus amigos Orlando Tejo e Esmeraldo Braga, quando acompanhando outros nordestinos emigraram para Brasília para vender o seu trabalho. Trabalho intelectual deixo claro. O Nordeste, berço da cultura brasileira desde o Descobrimento é referência cultural que define o país. Naqueles primeiros tempos Brasília respirando ainda ar nor-destino, produziram a literatura que lhes deu fama no ensaio, na poesia, no teatro, no romance. Cito apenas “Zé Limeira Poeta do Absurdo” e “A Coroa do Rei”. Estavam em Brasília e estavam em Sousa, em Campina. Tudo lembrava a terra natal. Barbeiro era do Ceará, pedreiro da Paraíba, vi-gia de Pernambuco, marchante de Alagoas, garçom do Piauí, motoristas, bancários, policiais, sem falar nos deputados, senadores e ministros nossos conterrâneos.

Vem tudo da proto-história. E os textos mais criativos de padrões culturais, fundamentam a existência do Estado nacional respectivo. O so-ciólogo Darcy Ribeiro diria representativos do processo civilizatório em todas as nações. Assim no Brasil

Existem coisas ridículas, para mim, como a lúdica coreografia bur-lesca da capoeira, teses antropológicas sobre o acarajé, o ebó, temas de se-minários e de masturbações sociológicas de que falava o alegre Sergio Mota ministro de FHC.  Prefiro o cangaço, a vaquejada a caça e a pesca. Não que a sociedade não mereça gratuidade, espontaneidade. Mas o povo brasileiro mora no Nordeste. O Sul é Babel (italianos, libaneses, alemães, poloneses, japoneses, chineses, indianos, agora haitianos, etc, cultivando os seus costumes). É o que vemos.

*

Baixando dessas alturas chego à cidade de Sousa, terra do roman-cista Esmeraldo Braga, para falar sobre o que sei de traços de sua vida, e sobre o que conheço de sua literatura: o romance “Danação em Terra Quente” cujo título revela os impasses que povoam a cena social retratada – usura, corrupção de menores, assédio sexual, vingança. E do texto novo “totalmente livre sobre o cangaço” escrito para o teatro, “A Coroa do Rei”, que absolve Lampião de todos os pecados, e proclama a dignidade de sua conduta humana, firme e franco, distanciado do ranzinza texto de Gra-ciliano Ramos. Orgulhoso no amor da companheira, o corpo fechado para bala, faca, invencível no combate franco, a céu aberto, homem-a-homem, Lampião somente seria vencido pela traição no envenenamento enco-mendado. Pois desdenhado na sua memória altiva de bravo, com os despojos físicos pessoais e de adorno, foi exibido em praça pública como  troféu, insígnia de conquista selvagem, militar. A história reparou a ignomínia. Unidos da Tijuca e Salgueiro resgataram a grandeza, a glória da sua memória num cordel grandioso, épico. Pois Lampião era homem de coragem e de costumes civilizados. Usava armas de fogo modernas, jóias, perfumes, bebidas finas. Mesmo numa luta desigual, perseguido em quatro Estados combatia o bom combate – o da restauração da honra familiar. Disso fala o romancista sousense.

 O sertanejo para Esmeraldo é imortal. Imbatível na peleja. Resis-tindo, longe dos seus, ele o escritor fez nascer no seu interior esta crença. E vinga o herói na tragédia revelada, desvendada. Vale o verso de Pinto do Monteiro que adota, amargurado, como epígrafe “Mas Lampeão ter mor-rido, / Ó coisa de fazer pena!” Todos concordamos, nele estereotipados.

Esmeraldo foi criado na Rua do Fogo, em Sousa, que tinha como referências geográficas a bodega de Seu Santos, a usina de Docil Braga, as caieiras nas barreiras e a passagem rasa do Rio das Pedrinhas. O Rio do Peixe tinha muitos nomes. Molecou por ali, decidiu se estabelecer com uma bodega, como outros, evoluiu, inaugurou uma “tarimba” (de tarimbado) no Mercado no centro da cidade. Conheci-o de vista, comerciante, sentado num tamborete por trás do balcãozinho, a cabeça baixa lendo um livro a-poiado nos joelhos, os sacos de cereais abertos, com o tecido da boca enrolado cuidadosamente. As prateleiras com garrafas de cachaça e vinhos ordinários alinhados davam a nota de organização e mostruário. Ele atendia um e outro, e lia.

Não mantínhamos convivência, pois pertencíamos a grupos distintos de jovens daquele tempo: os que freqüentavam assustados, estudavam fora, e os que trabalhavam, viviam a vida familiar, divertiam-se nos folguedos populares, piedosamente compareciam às missas e novenas. Mas todos se conheciam de vista.

Finalmente um dia nos encontramos e firmamos amizade. Eu es-crevia artigos chinfrins para a revista literária da nossa cidade. Nos apro-ximamos, fui eleito deputado, ele escreveu um romance. Li e gostei, mos-  trei a Virginius da Gama e Melo – o critico literário de plantão na Paraíba nos anos setenta do século passado – e o elogio não se fez esperar. Na capital, aproximei Esmeraldo de Orlando Tejo, este meu amigo desde o nosso tempo de rapazes em Campina. Deram-se bem. Emigraram, exilaram-se em Brasília, construíram sua obra literária, freqüentaram rodas de nordestinos, conquistaram emprego no Senado.

Se notável tornou-se Orlando com o brilho de sua inteligência cria-tiva, imortalizado com o Zé Limeira, a dor do exílio pesou demais no cora-ção do sertanejo Esmeraldo. Aí está “A Coroa do Rei” – tema, trama e expressão descritiva dolorida, no seu desenvolvimento, de uma obra de inegável sensibilidade humana e importância literária, principalmente. Um marco. Pretendo sugerir aos amigos França, de Acauã Produções Culturais e Francisco Hernandez, da Fundação Ivan Bichara, para ajustarem o texto à dramaturgia e montá-lo para apresentação em datas e locais escolhidos, o que sabem fazer muito bem. Já tratei do assunto com Augusto Ferraz.

Aí está: a política trouxe Esmeraldo de volta a Sousa, em visita para cumprimentar o sobrinho vitorioso que se elegeu prefeito do município. Não foi possível um encontro comigo. Moro afastado. Mas, por conta da nossa amizade, ele deixou com autógrafo para mim “A Coroa do Rei”, texto de ficção que dramatiza a morte do Rei do Cangaço, li, gostei, repito, e comentarei depois.  …………………………………………..

 

 

 

 

 

 



Escrito por Eilzo Matos às 16h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

GOLPE GLOBAL

GOLPE GOBAL ACELERADO CHEGOU À EUROPA.

 MARX E O PADRE CÍCERO DO JUAZEIRO

 

É lamentável e acima de tudo vergonhoso esse renascimento na mídia de FHC e Delfin Neto (os mais venais entre os brasileiros das dez últimas gerações), promovido pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista). Malandros, estelionatários perigosíssimos eles ditam manchetes: “Privatização não é questão ideológica” (FHC). Delfin é aquele denunciado por receber propina de 10% pela compra de projetos financiados pelos petrodólares, quando embaixador do Brasil em Paris.  Depois foi eleito deputado federal (pelos patrões) sem ser político. Posam de intelectuais para esconder o propinoduto que alimenta a sua verve. Leiam O Brasil Privatizado de Aloysio Biondi e Privataria Tucana de Amaury Ribeiro Jr. É necessário reler também o clássico A Miséria da Filosofia de Karl Marx que é obra de leitura indispensável. “Importante pelo poder que o texto tem de fundamentar historicamente a pauta do debate contemporâneo: mercado globalizado, fim do emprego, miséria, salário mínimo, desemprego, fusão de grandes empresas, in-flação, crise das bolsas de valores, lucros exorbitantes dos bancos, políticas públicas em crise, greves, Mercado Comum Europeu, Mercosul...”

Sobre o assunto, vale a pena ver alguns textos selecionados abaixo, no blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim.

“Forum Social quer CPI da Privataria Já! ─ Bomba! Bomba! Veja da Privataria na capa!” ─  Lula ganhou cinco “Privatarias”. E não vai ler. ─ Nassif: Amaury deixou o PSDB em sinuca.

Pois é. Todo este progresso e inclusão anunciados no Brasil nos levarão à crise da Europa, cuja origem está nas recomendações das reuniões realizadas em Davos na Suiça. E chegaram até as nossas favelas miseráveis e preparadas para a guerra civil, ao semi-árido nordestino despovoado onde vivo, a Wall Street, a be-líssima e organizada Cingapura da imprensa vip, ao engodo do crédito financeiro obrigatório até em seitas e macumbas como a de Edir Macedo, recebendo dízimos e oferendas em pagamento feito em cartões de crédito, dividido em prestações. Chegará finalmente a enganação da governabilidade para salvar empregos e negócios milionários. E o povão habituado a receber ajudas entra na conversa para salvar migalhas (bolsa, cesta, aluguel social, aquela preguiça de Macunaima, etc). Sei que me apelidarão de dinossauriano mas insisto filosoficamente: sempre a luta do velho contra o novo. E cá entre nós, afilhados do Padrinho Cícero do Juazeiro, cumpre-se a sua profecia: chegou a hora da “roda grande rodar dentro da roda pequena”.  

Os novos sujeitos sociais dominam a cena. Sobram empregos no país. Vi esta cena em Berlim e Bonn na dácada oitenta do século passado. Europeus de Portugal e da Espanha, do Leste, imigrantes pobres do Oriente, da África, lim-pavam ruas, lavavam panelas. O orgulhoso alemão entregava-se á nobre tarefa de especular em todos os sentidos. Hoje no Brasil, servente de pedreiro tem que vir do Haiti, como temos visto no noticiário da tv.  Reproduzindo um cena da literatura de Camus os nossos patrícios se identificam como partidários do governo (ins-crição nos projetos e programas de integração social, não precisam trabalhar)  e recebendo ajudas, não se submetem a regras.  A presidente Dilma precisa abrir os olhos. Ainda há tempo para evitar, para mudar.  …………………

 

 
 

 

 

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 15h19
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

TV

Televisão: fábrica de mais-valia ideológica

A televisão é uma usina ideológica. Gera milhares de megawatts de ideologia a cada programa, por mais inocente que pareça ser. E ideologia como definiu Marx: encobrimento da realidade, engano, ilusão, falsa consciência. Então, se considerarmos que a maioria da população latino-americana, aí incluída a brasileira, se informa e se forma através desse veículo, pensá-la e analisá-la deveria ser tarefa intelectual de todo aquele que pensa o mundo. Afinal, como bem afirma Chomsky, no seu clássico “Os Guardiões da Liberdade”, os meios atuam como sistema de transmissão de mensagens e símbolos para o cidadão médio. “Sua função é de divertir, entreter e informar, assim como inculcar nos indivíduos os valores, crenças e códigos de comportamento que lhes farão integrar-se nas estruturas institucionais da sociedade”. Não é sem razão que bordões, modas e gírias penetram nas gentes de tal forma que a reprodução é imediata e sistemática.

Um termômetro dessa usina é a famosa “novela das oito”, que consolidou um lugar no imaginário popular desde os anos 60, com a extinta Tupi, foi recuperado com maestria pela Globo e vem se repetindo nos demais canais. O horário nobre é usado pela teledramaturgia para repassar os valores que interessam à classe dominante, funcionando como uma sistemática propaganda que visa a manutenção do estado de coisas. É clássica, nos folhetins, a eterna disputa entre o bem e o mal, o pobre e o rico, com clara vinculação entre o bem e o rico. Sempre há um empresário bondoso, uma empresária generosa, um fazendeiro de grande coração, que são os protagonistas. E, se a figura principal começa a novela como pobre é certo que, por sua natural bondade, chegará ao final como uma pessoa rica e bem sucedida, porque o que fica implícito que o bem está colado à riqueza, vide a Griselda de Fina Estampa, a novela da vez.

Outro elemento bastante comum nas novelas é o da beleza da submissão. Como os protagonistas são sempre pessoas ricas, eles estão obviamente cercados dos serviçais, que, no mais das vezes os amam e são muito “bem-tratados” pelos patrões. Logo, por conta disso, agem como fiéis cães de guarda. Um desses exemplos pode ser visto atualmente na novela global. É o empregado-amigo (?) da vilã Tereza Cristina. Ele atua na casa da milionária como um mordomo, cúmplice, saco de pancadas, dependendo do humor da mulher. Ora ela lhe conta os dramas, ora lhe bate na cara, ora lhe ameaça tirar tudo o que já lhe deu. E ele, premido pela necessidade, suporta tudo, lambendo-lhe as mãos como um cachorrinho amestrado. Tudo é tão sutil que não há quem não se sinta encantado pelo personagem. Ele provoca o riso e a condescendência, até porque ainda é retratado de forma caricata como um homossexual cheio de maneios, trejeitos e extremamente servil.

Mas, se o servilismo de Crô pode ser questionado pela profunda afetação, outros há que aparecem ainda mais sutis. É o caso da turma da praia que, na pobreza, hostilizava Griselda e, agora, depois que ela ficou rica, passou para o seu lado, vindo inclusive trabalhar com a faz-tudo, assumindo de imediato a postura de defensores e amigos fiéis. Ou ainda a relação dos demais trabalhadores com os patrões “bonzinhos”, como é o caso do Paulo, o Juan, o homem da barraquinha de sucos, e o Renê. Todos são “amigos” e fazem os maiores sacrifícios pelos patrões, reforçando a ideia de que é possível existir essa linda conciliação de classe na vida real. O grupo que atua com o cozinheiro Renê, por exemplo, foi demitido pela vilã, não recebeu os salários, viveu de brisa por um tempo e retomou o trabalho com o antigo chefe por pura bem-querença. Coisa de chorar.

Nesses folhetins também os preconceitos que interessam aos dominantes acabam reforçados sob a faceta de “promoção da democracia”. O negro já não aparece apenas como bandido, mas segue sendo subalterno. No geral faz parte do núcleo pobre, mas é generoso e sabe qual é o “seu lugar”. É o caso do ético funcionário da loja de motos. Um bom rapaz, que, no máximo, pode chegar a gerente da loja. As pessoas que discutem uma forma alternativa de viver aparecem como gente “sem-noção”, no mais das vezes caricaturada, como é o caso da garota que prevê o futuro, a mulher negra que era bruxa, o rapaz que brinca com fogo ou os donos da pousada que em nada se diferem de empresários comuns, a não ser nas roupas exotéricas. Ou o personagem do Zé Mayer, numa antiga novela, que via discos voadores, não aceitava vender suas terras e, no final, “fica bom”, entregando sua propriedade para a empresária boazinha que era dona de uma papeleira. Os homossexuais também encontram espaço nas novelas, dentro da lógica da “democratização”, mas continuam sendo retratados de forma folclórica, como é o caso do Crô, na novela das oito, ou do transexual da novela das sete. Já o índio, como é invisível na vida real, tampouco tem vez nas tramas novelistas e quando tem, como a novela protagonizada por Cléo Pires, vem de forma folclórica e desconectada da vida real. E assim vai...

Gente há que fica indignada com os modelos que as telenovelas reproduzem ano após ano, mas essa é realidade real. Os folhetins nada mais fazem do que reforçar as relações de produção consolidadas pelo sistema capitalista. Até porque são financiados pelo capital, fazendo acontecer aquilo que Ludovico Silva chama de “mais-valia ideológica”. Ou seja, a pessoa que está em casa a desfrutar de uma novela, na verdade segue muito bem atada ao sistema de produção dessa sociedade, consumindo não só os produtos que desfilam sob seu olhar atento, enquanto aguardam o programa favorito, mas também os valores que confirmam e afirmam a sociedade atual. Prisioneira, a pessoa permanece em estado de “produção”, sempre a serviço da classe dominante. Assim, diante da TV – e sem um olhar crítico - as pessoas não descansam, nem desfrutam.

É certo que a televisão e os grandes meios não definem as coisas de forma automática. Como bem já explicou Adelmo Genro, na sua teoria marxista do jornalismo, os meios de comunicação também carregam dentro deles a contradição e vez ou outra isso se explicita, abrindo chance para a visão crítica. Momentos há em que os estereótipos aparecem de maneira tão ridícula que provocam o contrário do que se pretendia ou personagens adquirem tanta força que provocam um explodir da consciência. E, nesses lampejos, as pessoas vão fazendo as análises e podem refletir criticamente. Mas, de qualquer forma, esses momentos não são frequentes nem sistemáticos, o que só confirma a função de fabricação de consenso que é reservada aos meios. Um caso interessante é o do transexual que está sendo retratado na novela da Record, que passa às dez horas. “Dona Augusta” é nascida homem e se faz mulher, sem a folclorização do que é retratado na Globo. É “descoberta” pelo filho que a interna como louca. Toda a discussão do tema é muito bem feita pelos autores, sem estereótipos, sem falsa moral. Mas, é a TV dos bispos evangélicos, que, por sua vez, na vida real pregam a homossexualidade como “doença”. São as contradições.
De qualquer sorte, a teledramaturgia brasileira deveria ser bem melhor acompanhada pelos sindicatos e movimentos sociais. E cada um dos personagens deveria ser analisado naquilo que carrega de ideologia. Não para ensinar aos que “não sabem”, mas para dialogar com aqueles que acabam capturados pelo véu do engano. Assim como se deve falar do que silencia nos meios, o que não aparece, o que não se explicita, também é necessário discutir sobre o que é inculcado, dia após dia, como a melhor maneira de se viver. Pois é nesse entremeio de coisas ditas, malditas e não ditas, que o sistema segue fabricando o consenso, sempre a favor da classe dominante.



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 10h18
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

Saramago

Opinião: A coerência de Saramago

 

Seria uma redundância escrever sobre a qualidade da obra de José Saramago. Ficará para a posteridade como ficaram Camões, Eça e Pessoa? Eis uma pergunta que só o tempo pode responder. O fato é que Saramago foi consagrado em vida pela crítica, pelo público e pelo mais prestigiado dos prêmios, o Nobel, e isso fez com que suas ideias fossem ouvidas e discutidas em todos os continentes. Portanto, em vez de falar diretamente de seus romances, prefiro falar de sua coerência.

Dono de uma seriedade que muitos confundiam com arrogância, Saramago costumava dizer que, ao contrário do pensamento corrente, não era um intelectual antirreligioso, apenas limitava-se a praticar o seu “discreto” ateísmo. Esse discreto, verdade seja dita, era mais do que uma ironia, era um escândalo, já que muitos dos seus livros, com destaque para O Evangelho Segundo Jesus Cristo, podem ser resumidos como ataques contra as limitações do pensamento cristão.

Seu objetivo não era esculhambar a Igreja Católica, tão forte em Portugal, mas chamar a atenção do mundo para problemas mais urgentes como a fome, a ignorância e a violência. É por isso que, no Evangelho, o Jesus que vemos é um homem como outro qualquer. Ainda que tenha causado a fúria dos conservadores e da teologia oficial, essa é a grande contribuição de Saramago para o debate religioso: humanizar deus (aqui com minúscula) para endeusar o Humano (aqui com maiúscula).

Na arena política, a participação de Saramago não foi menos polêmica. Comunista convicto, nunca abandonou os postulados da esquerda, mesmo depois do sucesso, e os petardos que arremessava contra as injustiças do Capital eram tão desconcertantes quanto a forma com que desconstruía o comodismo do senso comum. Antes que meus queridos blumenauenses fundamentais de direita torçam seus olímpicos narizes, devo acrescentar um dado importante à trajetória do Saramago comedor de criancinhas.

Há alguns anos, diante do fuzilamento de cidadãos cubanos que tentavam fugir da ilha, o escritor imediatamente rompeu com Fidel Castro. “Cuba destruiu os meus sonhos”, ele disse, e assim o fez por ser fiel a seus princípios. Do mesmo modo que não concebia deuses maiores do que homens, também descartava a ideia - tão comum entre a esquerda mais ortodoxa - de que a História seja mais importante do que o Indivíduo. Isso se chama coerência, e esse é o grande legado do mestre português.

maicon.tenfen@santa.com.br



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 10h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

FHC - ESCÂNDALOS

31 - Avanço da dengue

A omissão do Ministério da Saúde é apontada como principal causa da epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O ex-ministro José Serra demitiu seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar focos do mosquito Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o estado do Rio registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte.

 

32 – Verbas do BNDES

Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC, por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer empresas que assumiram o controle de ex-estatais privatizadas. Quem mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das diversas operações, o BNDES injetou R$ 686,8 milhões na Telemar, assumindo 25% do controle acionário da empresa.

 

33 - Crescimento pífio do PIB

Na "Era FHC", a média anual de crescimento da economia brasileira estacionou em pífios 2%, incapaz de gerar os empregos que o País necessita e de impulsionar o setor produtivo. Um dos fatores responsáveis por essa quase estagnação é o elevado déficit em conta-corrente, de 23 bilhões de dólares no acumulado dos últimos 12 meses. Ou seja: devido ao baixo nível da poupança interna, para investir em seu desenvolvimento, o Brasil se tornou extremamente dependente de recursos externos, pelos quais paga cada vez mais caro.

 

34 – Renúncias no Senado

A disputa política entre o Senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e o Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em torno da presidência do Senado expôs publicamente as divergências da base de sustentação do governo. ACM renunciou ao mandato, sob a acusação de violar o painel eletrônico do Senado na votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF). Levou consigo seu cúmplice, o líder do governo, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Jader Barbalho se elegeu presidente do Senado, com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também acabou por renunciar ao mandato, para evitar a cassação. Pesavam contra ele denúncias de desvio de verbas da Sudam.

 

35 - Racionamento de energia

A imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico gerou o apagão. O povo se mobilizou para abreviar o racionamento de energia. Mesmo assim foi punido. Para compensar supostos prejuízos das empresas, o governo baixou Medida Provisória transferindo a conta do racionamento aos consumidores, que são obrigados a pagar duas novas tarifas em sua conta de luz. O pacote de ajuda às empresas soma R$ 22,5 bilhões.

 

36 - Assalto ao bolso do consumidor

FHC quer que o seu governo seja lembrado como aquele que deu proteção social ao povo brasileiro. Mas seu governo permitiu a elevação das tarifas públicas bem acima da inflação. Desde o início do plano real até agora, o preço das tarifas telefônicas foi reajustado acima de 580%. Os planos de saúde subiram 460%, o gás de cozinha 390%, os combustíveis 165%, a conta de luz 170% e a tarifa de água 135%. Neste período, a inflação acumulada ficou em 80%.

 

37 – Explosão da violência

O Brasil é um país cada vez mais violento. E as vítimas, na maioria dos casos, são os jovens. Na última década, o número de assassinatos de jovens de 15 a 24 anos subiu 48%. A Unesco coloca o País em terceiro lugar no ranking dos mais violentos, entre 60 nações pesquisadas. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, na população geral, cresceu 29%. Cerca de 45 mil pessoas são assassinadas anualmente. FHC pouco ou nada fez para dar mais segurança aos brasileiros.

 

38 – A falácia da Reforma agrária

O governo FHC apresentou ao Brasil e ao mundo números mentirosos sobre a reforma agrária. Na propaganda oficial, espalhou ter assentado 600 mil famílias durante oito anos de reinado. Os números estavam inflados. O governo considerou assentadas famílias que haviam apenas sido inscritas no programa. Alguns assentamentos só existiam no papel. Em vez de reparar a fraude, baixou decreto para oficializar o engodo.

 

39 - Subserviência internacional

A timidez marcou a política de comércio exterior do governo FHC. Num gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço brasileiro. O governo do PSDB foi acanhado nos protestos e hesitou em recorrer à OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara aprovou moção de repúdio às barreiras protecionistas. A subserviência é tanta que em visita aos EUA, no início deste ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar os sapatos três vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças de aeroportos.

 

40 – Renda em queda e desemprego em alta

Para o emprego e a renda do trabalhador, a Era FHC pode ser considerada perdida. O governo tucano fez o desemprego bater recordes no País. Na região metropolitana de São Paulo, o índice de desemprego chegou a 20,4% em abril, o que significa que 1,9 milhão de pessoas estão sem trabalhar. O governo FHC promoveu a precarização das condições de trabalho. O rendimento médio dos trabalhadores encolheu nos últimos três anos.

 

41 - Relações perigosas

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Esse ditado revela um pouco as relações suspeitas do presidenciável tucano José Serra com três figuras que estiveram na berlinda nos últimos dias. O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, é acusado de exercer tráfico de influência quando era diretor do Banco do Brasil e de ter cobrado propina no processo de privatização. Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório Marin Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões junto ao Banco do Brasil. Preciado, casado com uma prima de Serra, foi doador de recursos para a campanha do senador paulista. Outra ligação perigosa é com Vladimir Antonio Rioli, ex-vice-presidente de operações do Banespa e ex-sócio de Serra em empresa de consultoria. Ele teria facilitado uma operação irregular realizada por Ricardo Sérgio para repatriar US$ 3 milhões depositados em bancos nas Ilhas Cayman - paraíso fiscal do Caribe.

 

42 – Violação aos direitos humanos

Massacres como o de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, onde 19 sem-terra foram assassinados pela polícia militar do governo do PSDB em 1996, figuram nos relatórios da Anistia Internacional, que recentemente denunciou o governo FHC de violação aos direitos humanos. A Anistia critica a impunidade e denuncia que polícias e esquadrões da morte vinculados a forças de segurança cometeram numerosos homicídios de civis, inclusive crianças, durante o ano de 2001. A entidade afirma ainda que as práticas generalizadas e sistemáticas de tortura e maus-tratos prevalecem nas prisões.

 

43 – Correção da tabela do IR

Com fome de leão, o governo congelou por seis anos a tabela do Imposto de Renda. O congelamento aumentou a base de arrecadação do imposto, pois com a inflação acumulada, mesmo os que estavam isentos e não tiveram ganhos salariais, passaram a ser taxados. FHC só corrigiu a tabela em 17,5% depois de muita pressão da opinião pública e após aprovação de projeto pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, após vetar o projeto e editar uma Medida Provisória que incorporava parte do que fora aprovado pelo Congresso, aproveitou a oportunidade e aumentou alíquotas de outros tributos.

 

44 – Intervenção na Previ

FHC aproveitou o dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo de 2002 para decretar intervenção na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 38 bilhões e participação em dezenas de empresas. Com este gesto, afastou seis diretores, inclusive os três eleitos democraticamente pelos funcionários do BB. O ato truculento ocorreu a pedido do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunitty. Dias antes da intervenção, FHC recebeu Dantas no Palácio Alvorada. O banqueiro, que ameaçou divulgar dossiês comprometedores sobre o processo de privatização, trava queda-de-braço com a Previ para continuar dando as cartas na Brasil Telecom e outras empresas nas quais são sócios.

 

45 – Barbeiragens do Banco Central

O Banco Central – e não o crescimento de Lula nas pesquisas – tem sido o principal causador de turbulências no mercado financeiro. Ao antecipar de setembro para junho o ajuste nas regras dos fundos de investimento, que perderam R$ 2 bilhões, o BC deixou o mercado em polvorosa. Outro fator de instabilidade foi a decisão de rolar parte da dívida pública estimulando a venda de títulos LFTs de curto prazo e a compra desses mesmos papéis de longo prazo. Isto fez subir de R$ 17,2 bilhões para R$ 30,4 bilhões a concentração de vencimentos da dívida nos primeiros meses de 2003. O dólar e o risco Brasil dispararam. Combinado com os especuladores e o comando da campanha de José Serra, Armínio Fraga não vacilou em jogar a culpa no PT e nas eleições.

 

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 09h15
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

FHC - Escândalos

 

13 - Base de Alcântara

O governo FHC enfrenta resistências para aprovar o acordo de cooperação internacional que permite aos Estados Unidos usarem a Base de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do acordo são lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de depósitos de material americano serão interditadas a autoridades brasileiras. O acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o acordo determina ainda com que países o Brasil pode se relacionar nessa área. Diante disso, o PT apresentou emendas ao tratado – todas acatadas na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

 

14 - Biopirataria oficial

Antigamente, os exploradores levavam nosso ouro e pedras preciosas. Hoje, levam nosso patrimônio genético. O governo FHC teve de rever o contrato escandaloso assinado entre a Bioamazônia e a Novartis, que possibilitaria a coleta e transferência de 10 mil microorganismos diferentes e o envio de cepas para o exterior, por 4 milhões de dólares. Sem direito ao recebimento de royalties. Como um único fungo pode render bilhões de dólares aos laboratórios farmacêuticos, o contrato não fazia sentido. Apenas oficializava a biopirataria.

 

15 - O fiasco dos 500 anos

As festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob coordenação do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL-PR), se transformaram num fiasco monumental. Índios e sem-terra apanharam da polícia quando tentaram entrar em Porto Seguro (BA), palco das comemorações. O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, é um dos denunciados pelo Ministério Público de participação no epísódio de superfaturamento da construção do estande brasileiro na Feira de Hannover, em 2000.

 

16 - Eduardo Jorge, um personagem suspeito

Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, é um dos personagens mais sombrios que freqüentou o Palácio do Planalto na era FHC. Suspeita-se que ele tenha se envolvido no esquema de liberação de verbas para o TRT paulista e em superfaturamento no Serpro, de montar o caixa-dois para a reeleição de FHC, de ter feito lobby para empresas de informática, e de manipular recursos dos fundos de pensão nas privatizações. Também teria tentado impedir a falência da Encol.

 

17 - Drible na reforma tributária

O PT participou de um acordo, do qual faziam parte todas as bancadas com representação no Congresso Nacional, em torno de uma reforma tributária destinada a tornar o sistema mais justo, progressivo e simples. A bancada petista apoiou o substitutivo do relator do projeto na Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Mussa Demes (PFL-PI). Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o Palácio do Planalto impe-diram a tramitação.

 

18 - Rombo transamazônico na Sudam

O rombo causado pelo festival de fraudes transamazônicas na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, no período de 1994 a 1999, ultrapassa R$ 2 bilhões. As denúncias de desvios de recursos na Sudam levaram o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) a renunciar ao mandato. Ao invés de acabar com a corrupção que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a providência do governo.

 

19 - Os desvios na Sudene

Foram apurados desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A fraude consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) foram aplicados. Como no caso da Sudam, FHC decidiu extinguir o órgão. O PT também questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.

 

20 - Calote no Fundef

O governo FHC desrespeita a lei que criou o Fundef. Em 2002, o valor mínimo deveria ser de R$ 655,08 por aluno/ano de 1ª a 4ª séries e de R$ 688,67 por aluno/ano da 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e da educação especial. Mas os valores estabelecidos ficaram abaixo: R$ 418,00 e R$ 438,90, respectivamente. O calote aos estados mais pobres soma R$ 11,1 bilhões desde 1998.

 

21 - Abuso de MPs

Enquanto senador, FHC combatia com veemência o abuso nas edições e reedições de Medidas Provisórias por parte José Sarney e Fernando Collor. Os dois juntos editaram e reeditaram 298 MPs. Como presidente, FHC cedeu à tentação autoritária. Editou e reeditou, em seus dois mandatos, 5.491medidas. O PT participou ativamente das negociações que resultaram na aprovação de emenda constitucional que limita o uso de MPs.

 

22 - Acidentes na Petrobras

Por problemas de gestão e falta de investimentos, a Petrobras protagonizou uma série de acidentes ambientais no governo FHC que viraram notícia no Brasil e no mundo. A estatal foi responsável pelos maiores desastres ambientais ocorridos no País nos últimos anos. Provocou, entre outros, um grande vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio, outro no Rio Iguaçu, no Paraná. Uma das maiores plataformas da empresa, a P-36, afundou na Bacia de Campos, causando a morte de 11 trabalhadores. A Petrobras também ganhou manchetes com os acidentes de trabalho em suas plataformas e refinarias que ceifaram a vida de centenas de empreg.

 

23 - Apoio a Fujimori

O presidente FHC apoiou o terceiro mandato consecutivo do corrupto ditador peruano Alberto Fujimori, um sujeito que nunca deu valor à democracia e que fugiu do País para não viver os restos de seus dias na cadeia. Não bastasse isso, concedeu a Fujimori a medalha da Ordem do Cruzeiro do Sul, o principal título honorário brasileiro. O Senado, numa atitude correta, acatou sugestão apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR) e cassou a homenagem.

 

24 - Desmatamento na Amazônia

Por meio de decretos e medidas provisórias, o governo FHC desmontou a legislação ambiental existente no País. As mudanças na legislação ambiental debilitaram a proteção às florestas e ao cerrado e fizeram crescer o desmatamento e a exploração descontrolada de madeiras na Amazônia. Houve aumento dos focos de queimadas. A Lei de Crimes Ambientais foi modificada para pior.

 

25 – Os computadores do FUST

A idéia de equipar todas as escolas públicas de ensino médio com 290 mil computadores se transformou numa grande negociata. Os recursos para a compra viriam do Fundo de Universalização das Telecomunicações, o Fust. Mas o governo ignorou a Lei de Licitações, a 8.666. Além disso, fez megacontrato com a Microsoft, que teria, com o Windows, o monopólio do sistema operacional das máquinas, quando há softwares que poderiam ser usados gratuitamente. A Justiça e o Tribunal de Contas da União suspenderam o edital de compra e a negociata está suspensa.

 

26 - Arapongagem

O governo FHC montou uma verdadeira rede de espionagem para vasculhar a vida de seus adversários e monitorar os passos dos movimentos sociais. Essa máquina de destruir reputações é constituída por ex-agentes do antigo SNI ou por empresas de fachada. Os arapongas tucanos sabiam da invasão dos sem-terra à propriedade do presidente em Buritis, em março deste ano, e o governo nada fez para evitar a operação. Eles foram responsáveis também pela espionagem contra Roseana Sarney.

 

27 - O esquema do FAT

A Fundação Teotônio Vilela, presidida pelo ex-presidente do PSDB, senador alagoano Teotônio Vilela, e que tinha como conselheiro o presidente FHC, foi acusada de envolvimento em desvios de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Descobriu-se que boa parte do dinheiro, que deveria ser usado para treinamento de 54 mil trabalhadores do Distrito Federal, sumiu. As fraudes no financiamento de programas de formação profissional ocorreram em 17 unidades da federação e estão sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público.

 

28 - Mudanças na CLT

A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou, contra o voto da bancada do PT, projeto que flexibiliza a CLT, ameaçando direitos consagrados dos trabalhadores, como férias, décimo terceiro e licença maternidade. O projeto esvazia o poder de negociação dos sindicatos. No Senado, o governo FHC não teve forças para levar adiante essa medida anti-social.

 

29 - Obras irregulares

Um levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em 2001, indicou a existência de 121 obras federais com indícios de irregularidades graves. A maioria dessas obras pertence a órgãos como o extinto DNER, os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Uma dessas obras, a hidrelétrica de Serra da Mesa, interior de Goiás, deveria ter custado 1,3 bilhão de dólares. Consumiu o dobro.

 

30 - Explosão da dívida pública

Quando FHC assumiu a Presidência da República, em janeiro de 1995, a dívida pública interna e externa somava R$ 153,4 bilhões. Entretanto, a política de juros altos de seu governo, que pratica as maiores taxas do planeta, elevou essa dívida para R$ 684,6 bilhões em abril de 2002, um aumento de 346%. Hoje, a dívida já equivale a preocupantes 54,5% do PIB.

 



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 09h11
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

FHC - Escândalos

45 escândalos que marcaram o governo FHC

 

1 - Conivência com a corrupção

O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se especializou em abafar denúncias.

 

2 - O escândalo do Sivam

O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra.

 

3 - A farra do Proer

O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.

 

4 - Caixa-dois de campanhas

As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.

 

5 - Propina na privatização

A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

 

6 - A emenda da reeleição

O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.

 

7 - Grampos telefônicos

Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

 

8 - TRT paulista

A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.

 

9 - Os ralos do DNER

O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo.

 

10 - O "caladão"

O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD). Uma pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O "caladão" provocou prejuízo aos consumidores, às empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo.

 

11 - Desvalorização do real

FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava "ou eu ou o caos". Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.

 

12 - O caso Marka/FonteCindam

Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 09h07
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

FHC - traição à pátria

45 escândalos que marcaram o governo FHC

 

1 - Conivência com a corrupção

O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos primeiros gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se especializou em abafar denúncias.

 

2 - O escândalo do Sivam

O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos. A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica, Brigadeiro Mauro Gandra.

 

3 - A farra do Proer

O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões, incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos bancos estaduais.

 

4 - Caixa-dois de campanhas

As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.

 

5 - Propina na privatização

A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

 

6 - A emenda da reeleição

O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.

 

7 - Grampos telefônicos

Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

 

8 - TRT paulista

A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169 milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois dos principais envolvidos no caso.

 

9 - Os ralos do DNER

O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O órgão acabou sendo extinto pelo governo.

 

10 - O "caladão"

O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD). Uma pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O "caladão" provocou prejuízo aos consumidores, às empresas e ao próprio governo. Ficou tudo por isso mesmo.

 

11 - Desvalorização do real

FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava "ou eu ou o caos". Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.

 

12 - O caso Marka/FonteCindam

Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo. Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 09h04
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




 
 

FHC, itinerário de um esastre

FHC - Itinerário de um desastre. A obra de destruição realizada por FHC não pode ser fruto do acaso. Ela só pode ser fruto de um planejamento meticuloso.

 

Nenhum governo teve mídia tão favorável quanto o de FHC, o que não deixa de ser surpreendente, visto que em seus dois mandatos ele realizou uma extraordinária obra de demolição, de fazer inveja a Átila e a Gêngis Khan. Vale a pena relembrar algumas das passagens de um governo que deixará uma pesada herança para seu sucessor.

A taxa média de crescimento da economia brasileira, ao longo da década tucana, foi a pior da história, em torno de 2,4%. Pior até mesmo que a taxa média da chamada década perdida, os anos 80, que girou em torno de 3,2%. No período, o patrimônio público representado pelas grandes estatais foi liquidado na bacia das almas. No discurso, essa operação serviria para reduzir a dívida pública e para atrair capitais. Na prática assistimos a um crescimento exponencial da dívida pública. A dívida interna saltou de R$ 60 bilhões para impensáveis R$ 630 bilhões, enquanto a dívida externa teve seu valor dobrado.

Enquanto isso, o esperado afluxo de capitais não se verificou. Pelo contrário, o que vimos no setor elétrico foi exemplar. Uma parceria entre as elétricas privatizadas e o governo gerou uma aguda crise no setor, provocando um longo racionamento. Esse ano, para compensar o prejuízo que sua imprevidência deu ao povo, o governo premiou as elétricas com sobretaxas e um esdrúxulo programa de energia emergencial. Ou seja, os capitais internacionais não vieram e a incompetência das privatizadas está sendo financiada pelo povo.

FHC não pode ser fruto do acaso. Ela só pode ser fruto de um planejamento meticuloso.

Dep. João Paulo Cunha – Líder do PT



Categoria: Comentário do dia
Escrito por Eilzo Matos às 08h55
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Nordeste, Homem, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Política, economia global
Yahoo Messenger - 230634
Histórico
Categorias
  Todas as Categorias
  Jornal
  Comentário do dia
  textos antigos
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog